Sexta-feira, Julho 03, 2009

MANIC STREET PREACHERS – JOURNAL FOR PLAGUE LOVERS

Journal For Plague Lovers é o mais recente álbum de estúdio dos galeses do Manic Street Preachers, lançado em maio último. O que diferencia esse novo trabalho de outros recentes da banda é o fato de que as letras das músicas são de autoria de Richey James Edwards, guitarrista e compositor, que sumiu misteriosamente em 1995, e que no ano passado foi oficialmente considerado presumidamente morto. Ao falar do disco, Nicky Wire, que passou ao papel de principal letrista após o desaparecimento de Richey, disse que “o brilho e a inteligência das letras impôs que nós finalmente as usássemos”. Como o último trabalho da banda ainda com Richey na formação foi Holy Bible, de 1994, este novo lançamento esta sendo considerado como sua continuação. E a sonoridade, com uma presença maior de guitarras, realmente lembra aquele de outrora. E para incrementar ainda mais as semelhanças entre os CDs, a arte da capa de Journal ficou por conta do artista Jenny Saville, o mesmo que ilustrou a capa de Holy Bible. A produção do novo álbum ficou a cargo de Steve Albini, o mesmo do essencial In Utero, último suspiro de estúdio do Nirvana (aliás, a gravação do disco de Kurt Cobain e Cia foi cheia de problemas, tanto que, no encarte do disco, tem um “recorded by Steve Albini” e não um “produced by”), importante para a banda conseguir recriar o som dos tempos de Richey, um fã confesso do que Albini fez com o Nirvana (mas calma, o Manic não começou a colocar microfonias e gritarias ensandecidas em suas músicas, a praia aqui é outra). Ou seja, não se trata apenas das letras de Richey, mas também de sua sonoridade. Pessoalmente, prefiro o Manic pós-Richey, quando eles lançaram seus principais e melhores trabalhos, como Everything Must Go e This Is My Truth Tell Me Yours, e acho que muitos pensam o mesmo, mas não deixa de ser interessante essa recente empreitada, onde os remanescentes da banda, a saber, James Dean Bradfield (vocais, guitarra), Nicky Wire (baixo) e Sean Moore (baterista), fazem as pazes com o passado com um punhado de músicas acima da média. Imagina-se que o sumiço de Richey James Edwards deve ter sido uma barra pesada para todos eles, e agora eles finalmente encerraram esse capítulo de suas vidas.

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Domingo, Junho 14, 2009

CAPA DE FINAL CRISIS HARD COVER


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PJ HARVEY & JOHN PARISH - A WOMAN A MAN WALKED BY

(texto extraído da Rolling Stone # 32, maio de 2009; autoria de Leonardo Dias Pereira)


Ao lado de fiel colaborador, inglesa faz seu disco mais experimental

Se no anterior, White Chalk, PJ Harvey construiu um universo cheio de leveza e lirismo, em A Woman A Man Walked By ela resolveu fazer a trilha sonora de seus piores pesadelos. Ladeada por John Parish, seu antigo e fiel colaborador nas composições, a inglesa passa boa parte do novo álbum apostando em estruturas musicais nada ortodoxas. Com exceção do primeiro single "Black Hearted Love", com guitarras à Sonic Youth e o vocal lânguido que só a Polly Jean sabe fazer, e algumas baladas como "Passionless Pointless" e "The Soldier", a predominância das faixas traz PJ cantando de maneira ora desesperadora ("Sixteen, Fifteen, Fourteen"), ora perturbadora ("April") - atingindo a insanidade em "Pig Will Not". Não chega a ser exagero dizer que este é o álbum mais experimental de sua carreira e que provavelmente espantará alguns de seus seguidores. Mas arrependimento será a última coisa que alguém terá ao arriscar nestas "águas revoltas".

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Segunda-feira, Junho 08, 2009

HE IS THE MAN!


Após quatro anos consecutivos derrotado numa final de Roland Garros pelo carrasco Rafael Nadal, estava tudo esquematizado para, enfim, Roger Federer levar o título no saibro do mais charmoso dos Grand Slams. O espanhol, número um do mundo, caiu nas oitavas-de-final para o até então desconhecido Robin Soderling, sueco que ocupava apenas a 25ª posição do ranking da ATP. Para deixar o horizonte ainda mais limpo para o tenista suíço, Andy Murray e Novak Djokovic, respectivamente 3º e 4º no ranking, ficaram pelo caminho também. Era hora de Federer ser campeão em Paris e completar algo que poucos conseguiram, o título em todos os Grand Slams (Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open).
A final, quis o destino, era contra Soderling, o mesmo que vencera Nadal uma semana antes. Mas qualquer ameaça de susto foi logo dissipada quando Federer, logo de cara, quebrou o serviço do adversário, que parecia nervoso. Primeiro set fácil, 6 a 1. No segundo, Soderling, já com os nervos no lugar, deixou o jogo mais duro. E a invasão de um louco qualquer na quadra visivelmente tirou a concentração de Federer por uns momentos. Os 12 games acabam sem quebra, e no tie break, com um show de aces, Federer faz 7 a 1, fechando o set em 7/6. O terceiro set já começou com o suíço quebrando o serviço do adversário, que até ensaiou devolver a quebra depois, mas não obteve sucesso. Sacando muito bem e com um show de “deixadinhas”, Federer vence o set (6/4) e o jogo, levantando enfim a sonhada (e que vinha se transformando em pesadelo graças ao “animal” Nadal) taça de campeão de Roland Garros, escrevendo seu nome mais uma vez na história do tênis.
Depois de perder na grama de Wimbledon e no piso duro da Austrália para Nadal, muitos apostavam na decadência de Roger Federer, mas nesse domingo ele provou que ainda tem muito por mostrar, e tem tudo para encerrar a carreira como o melhor tenista de todos os tempos. A 14ª conquista de um Grand Slam, empatando com Pete Sampras, foi um grande passo em relação a isso. Se na cerimônia de premiação do Aberto da Austrália, no começo do ano, Roger chorou de tristeza, desmoronando emocionalmente diante do público, ontem as lágrimas apareceram novamente, mas com um sabor todo especial, o da felicidade e do alívio. Roger Federer, não tenho dúvidas, o maior tenista da história.

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Sexta-feira, Maio 29, 2009

LINKS!!!

Passando rapidinho para tirar a poeira e indicar dois belos textos do André Forastieri que acabei de ler no blog do mesmo. Clique e confira:

:: EU NUNCA FUI NERD - Me irrita trombar jovens que acham que a vida se resume a ler gibi, jogar MMORPG, assistir desenho animado japonês etc. Tem muito mais coisa interessante por aí. Assistir 200 episódios de seriados por mês, quando você podia estar assistindo um filme do Mario Monicelli, é coisa de retardado mental e emocional. Paixão, sim. Visão estreita, não, por favor. Texto completo.

:: GIBI NÃO É PRA CRIANÇA - Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. É inacreditável que em 2009 eu precise repetir isso quinhentas vezes para ver se entra na cabeça desse povo burro. Texto completo.

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Terça-feira, Maio 19, 2009

CAPA DE AMAZING SPIDER-MAN # 602


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Sexta-feira, Maio 08, 2009

SEMANA OASIS - PT 5

(texto extraído da BIZZ # 179, junho de 2000)

OASIS AO VIVO NO RADIO CITY MUSIC HALL (NY)

"Sentem suas bundas preguiçosas!" Foi com essa simpática frase que Liam Gallagher abriu o show do Oasis, na única data em Nova York de uma turnê de 18 apresentações em território americano. O público, que lotava o clássico Radio City Music Hall, pareceu nem ligar para a sentença proferida e urrava a cada grunhido no indefectível sotaque britânico do cantor. Afinal, quem gosta do Oasis já sabe da fama dos irmãos Gallagher. Brigas, drogas e provocações fazem parte do mito da banda desde o início dos anos 90, apesar de as polêmicas terem se intensificado nos último anos.
Quatro álbuns, milhões de cópias e muita confusão depois, o Oasis retorna aos EUA com a missão de divulgar seu atual filhote, o retrô Standing On The Shoulder Of Giants (batizado por Noel depois de uma noite de bebedeira num pub, após observar a moeda de duas libras, que tem algo semelhante escrito em sua face).
O show começa com "Go Let It Out", primeiro sucesso do disco. Um telão acima da banda projeta um filminho de 15 minutos com imagens de Nova York (gente, rua, prédios) que termina com uma foto de John Lennon no Central Park.
O filme será apresentado em todas as cidades dos Estados Unidos, mas, pelo fato de estarem em Nova York, a platéia delirou. Breve comentário: em rápido passeio pelo Radio City (pois os seguranças do local, além de não permitirem movimentos mais bruscos, cerveja e drogas, proíbem que você saia da cadeira, a não ser que seja para ir ao banheiro), notei que o público era composto majoritariamente por homens barrigudos, com um estra-nhíssimo detalhe: trajando camisa de gola alta e jaqueta de couro!
Daí para frente, foi aquele esquema de música nova, música antiga, música nova, música antiga... Os dois novos membros da banda, Gem Archer e Andy Bell (que entraram no lugar de Paul Arthus e Paul McGuigan) não olharam para a platéia. Noel até ensaiou algum carisma e se divertiu sacaneando os jornalistas presentes quando avisou, no bis, que iria cantar uma música de Neil Young. "Atenção, jornalistas de bloco na mão, podem anotar, vou cantar agora um clássico de Neil Young". Quando a música chegou ao fim, mandou: "Para os que não sabem, o nome é ‘Hey, Hey, My, My’". Nessa altura do campeonato, escondi meu caderninho...
Após Neil Young... Beatles, é claro! Noel doa a alma em sua interpretação de "Helter Skelter" e o público aplaude. Liam (que esteve ausente enquanto Noel cantava, como de praxe) volta e encerra o show cantando "Toniiiiiight/ I’m a rock’n’roll staaar"... É, pode até ser - e foi com essa impressão que a platéia saiu de lá. Entretanto, a mídia e as vendagens americanas não endossam esse refrão. Mas quem se importava com isso naquela noite?

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Quinta-feira, Maio 07, 2009

SEMANA OASIS - PT 4

(texto extraído da BIZZ # 175, fevereiro de 2000; texto de Luciano Vianna & Valéria Rossi)


OASIS - STANDING ON THE SHOULDER OF GIANTS

Quando as primeiras informações sobre o novo disco do Oasis surgiram na imprensa britânica, muito se especulava sobre a qualidade do álbum, ainda mais depois de Noel Gallagher anunciar que o novo disco teria o pouco promissor título Where Did It All Go Wrong? (onde foi que tudo deu errado?). Encerradas as gravações, num intervalo de poucas semanas, o baixista Paul McGuigan e o guitarrista Paul Arthurs anunciaram a saída do grupo e alguns tablóides chegaram a divulgar que os músicos teriam jogado a toalha devido à baixa qualidade do novo material.
Os dois desertores foram prontamente substituídos respectivamente por Andy Bell (ex-Ride e Hurricane # 1) e Gem (ex-Heavy Stereo) e o "novo" Oasis mudou o nome do disco, mostrando que absolutamente nada deu errado. Pesado como Definitely Maybe, com uma riqueza melódica impressionante, como (What’s The Story) Morning Glory?, mas sem abandonar as experimentações psicodélicas que marcaram Be Here Now, este CD atesta a maturidade dos irmãos Gallagher, que, ajudados pelo competente produtor Mark Stent, tiveram a liberdade e o tempo para concretizar todas as suas idéias em dez enxutas músicas.
Com o título tirado da frase do físico Isaac Newton cunhada na moeda de 2 libras, Standing On The Shoulder Of Giants é um álbum em que Noel não tem vergonha de mostrar a raiz de suas principais influências, sejam elas Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd, ou Chemical Brothers e Goldie. "Fuckin’ In The Bushes", a faixa de abertura, é a que melhor sintetiza tudo isso, misturando um loop de bateria eletrônica com samplers tirados de um filme sobre o festival na Ilha de Wight, de 1970, num caldeirão sonoro coberto de guitarras e sintetizadores. "Go Let It Out" é o primeiro single. Com melodia pegajosa, tem tudo para se transformar num grande hit.
Mas o disco ainda guarda outras surpresas. Uma delas é a primeira composição de Liam, "Little James", uma balada lennoniana em homenagem ao enteado (filho da mulher, a atriz Patsy Kensit, com Jim Kerr, do Simple Minds). Se Liam compõe, Noel solta a voz em "Where Did It All Go Wrong?" e "Sunday Monday Call". A banda também mostra seu lado punk em "Gas Panic!" e a faceta rock em "Put Your Money Where Yer Mouth Is". É um disco que terá lugar cativo no coração dos fãs do Oasis.

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Terça-feira, Maio 05, 2009

SEMANA OASIS - PT 3

LÍNGUA SOLTA

Algumas frases célebres dos irmãos Gallagher:
::"John Lennon tinha um problema: ele achava que era Deus. O meu problema? Eu acho que sou John Lennon" - Noel Gallagher
::"Não ligo se alguém diz que não gosta do meu jeito de cantar. Só escuto isso de gente burra e chata" -
Liam Gallagher
::"Tomar drogas para escrever canções melhores é uma estupidez. Minhas canções já são muito boas. Tomo drogas porque gosto" - Noel Gallagher
::"O Oasis é incapaz de fazer um show ruim. Para o público, o show sempre será bom, porque ver a gente de perto é a coisa mais importante na vida deles" - Liam Gallagher
::"Nunca tive a pretensão de escrever as melhores canções de rock da história. Foi uma coisa que acabou acontecendo." - Noel Gallagher
::"Compare nossos Cd's com os dois primeiros álbuns de todas as bandas de rock. Não sobra ninguém, talvez só os Beatles" -
Noel Gallagher
::"Minhas brigas com Liam são puro marketing, na verdade somos grandes amigos" -
Noel Gallagher
::"Meu irmão se preocupa muito com estas besteiras de passagem de som. Eu sou perfeito no palco, não preciso disso" -
Liam Gallagher
::"Tá perguntando se eu sou feliz? Olha, tenho 87 milhões de libras no banco, um Rolls Royce, 3 fãs me perseguindo, vou entrar na diretoria do Manchester City, faço parte da maior banda do mundo. Estou feliz? Não, eu quero mais!!!" -
Noel Gallagher
::"Nós não somos arrogantes, nós só achamos que somos a melhor banda do mundo" -
Noel Gallagher
::“Esse cara de uma banda chega pra mim e diz: ‘Cara, eu odiaria ser você agora. você não tem nenhuma privacidade’ e eu pensei: ‘Claro, eu tenho um Rolls Royce, um milhão de dólares no banco, uma puta mansão e meu próprio jet e você pensa que sentiria tristeza por mim? O que é você? Eu odiaria ser você, quebrado e vivendo de caridade’" -
Noel Gallagher
::“Eles chegaram a um nível em que começaram a se preocupar com o meio ambiente. Isso é para os governantes do mundo se preocupar. Nós precisamos nos concentrar em fazer sexo com mulheres, usar drogas, óculos escuros e sermos cool. Esqueça o urso polar.” -
Noel Gallagher sobre U2 e Coldplay
::“Existem Elvis e eu. Não poderia dizer qual dos dois é o melhor.” - Liam Gallagher

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Segunda-feira, Maio 04, 2009

SEMANA OASIS - PT 2

(texto extraído da BIZZ # 145, agosto 1997)

BE HERE NOW, FAIXA A FAIXA

::"D’You Know What I Mean" - O single, com sample de NWA, peso zeppeliniano, guitarras gravadas ao contrário, mais de sete minutos. Vocais com "yeah, yeah, yeah" rodando ao contrário.
::"My Big Mouth" - Refrão repetido em ecos, um riff musculoso e a tradicional muralha de guitarras que range até o final. Trecho: "Todo mundo sabe que ninguém está dizendo nada".
::"Magic Pie" - Power balada cheia de harmonias beatles, a única faixa do disco cantada por Noel. Termina tragada por efeitos sonoros alienígenas, com uma fungada e um "oh".
::"Stand By Me" - Balada épica na melhor tradição de "Wonderwall", um dos grandes destaques do disco e hit certeiro. "Existe algo que eu nunca pude te dar/ Meu coração nunca será um lar".
::"I Hope, I Think, I Know" - Rock com mais peso, a voz de Liam soterrada por guitarras: "Fazem tudo para me botar no meu lugar, mas o futuro é meu e essa é a sua desgraça".
::"The Girl In The Dirty Shirt" - Melodia escandalosamente beatle, com um piano que dá mais pinta ainda. A letra fala de um incidente do começo do namoro entre Noel e Meg: ele entrou no quarto dela e a viu passando roupa. Naquela mesma noite, dedicou o show à "garota com a camisa suja".
::"Fade In-Out" - Começa com uma tossida, tem Johnny Depp tocando slide guitar (gravada ao contrário), um grito de porco morrendo e, depois de uma longa primeira parte, é inundada por uma sonzeira indiana. Referência beatle: "Entre no helter skelter, pise no fogo, você tem de ser durão o suficiente para derrotar os bravos".
::"Don’t Go Away" - Balada matadora, cheia de cordas, dentro de um formato mais pop.
::"Be Here Now" - Rock pesado com a cozinha fortíssima, um arrastão hipnótico.
::"All Around The World" - Uma espécie de "Champagne Supernova 2", esta power balada estava na gaveta de Noel há cinco anos. Tem orquestração à George Martin (32 músicos, 11 minutos de duração e brincadeiras com efeitos vocais).
::"It’s Getting Better (Man!!)" - Riff marcante na guitarra, Liam afundado na mixagem e muita euforia.

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Domingo, Maio 03, 2009

SEMANA OASIS - PT 1

(texto extraído da BIZZ # 160, novembro de 1998; autoria de Carlos Eduardo Oliveira)

OASIS - THE MASTERPLAN
Coletânea de lados B surpreende pela qualidade

Esqueça o enjoativo Be Here Now: o Oasis reaperece muito melhor em The Masterplan. É um disco com o dedo dos fãs, que escolheram o repertório via Internet. A partir da abertura faiscante com "Aquiesce", o que aparentemente seria mais um repetitivo balaio de sobras obscuras e lados B desprestigiados virou um Frankenstein do bem - é desde já um dos melhores trabalhos do grupo inglês. Como o título ("o plano de mestre") sugere, parece desenhar um todo: primeiro, descarta obviedades (os eflúvios de Lennon & MacCartney se fazem bem menos perceptíveis), através de uma vitamínica variação de climas e ritmos; depois, revela um Noel Gallagher mais reflexivo, que parece ter guardado seus escritos mais pessoais sobre solidão e idade ("sou mais velho do que gostaria", lamenta em "Rockin’ Chair") para depois da farra. Por último, mostra ele e o brother Liam revezando-se igualmente nos vocais. Poucas vezes o Oasis ecoou tão pesado, "sujo" e exercitando microfonias como em "Fade Away", "Swamp Song" - esta ao vivo, assim como "I’m The Walrus", dos Beatles -, "It’s Good (To Be Free)" e "Headshriver". Baladas arrasa-quarteirão do calibre de "Talk Tonight" e "Going Nowhere" (com belo arranjo de cordas) deixam no chinelo qualquer similar anterior. Com tão redentora e saudável volta à garagem, dá até pra perdoar os shows meia-boca que o quinteto costuma fazer.

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Terça-feira, Abril 28, 2009

RÁPIDO & RASTEIRO

:: Boas novas para os fãs do Nirvana e da boa música em geral. O lendário show da banda no também lendário Reading Festival de 1992 sairá em DVD em novembro, pela Universal. Esse show ficou famoso porque, entre outros motivos, Kurt Cobain entrou no palco numa cadeira de rodas, balbuciou algo ao microfone e caiu no chão. Eu já dediquei um post para esse show e você pode conferir aqui. Apesar de já ter baixado a versão pirata, com o contador de tempo embutido na tela, é claro que comprarei esse DVD, que já nasce clássico!

:: Depois de meses sem notícias oficiais, finalmente a Pixel se dá ao trabalho de informar aos seus “clientes” que não tem mais interesse em lançar material da Vertigo e Wildstorm e que, portanto, as revistas Pixel Magazine e Pixel Fábulas estão canceladas, assim como os especiais e encadernados de Preacher, 100 Balas, Authority e até Sandman, que, dizem, estava vendendo bem. A merda de Spawn, porém, continua. A situação parece uma bola de neve: a cada editora brasileira que tem uma experiência frustrada com material Vertigo/Wildstorm, mais os leitores se afugentam e partem para outros caminhos, como os importados ou os scans, dificultando ainda mais o trabalho de uma futura editora com um material que já não tem grande apelo, apesar de sua qualidade indiscutível. Eu já considero praticamente inviável um plano de médio/longo prazo com esse tipo de quadrinhos no Brasil. Mas ainda torço para que a Devir recupere os direitos de publicações que tinha antes da aventura da Pixel e, ao menos, termine Preacher.

:: Atualizando a fila de leitura, que teme em não diminuir:
- Mulher-Gato - Um Crime Perfeito
- Legião dos Super-Heróis - A Saga das Trevas Eternas
- Os 6 volumes da Coleção DC 70 Anos
- Fábulas - O Livro do Amor
- Preacher - Guerra ao Sol
- Reino dos Malditos
- Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor Vol 3
- Os Maiores Clássicos do Capitão América Vol. 1
- Os Maiores Clássicos do Quarteto Fantástico Vol. 3
- Witchblade - Série Clássica - Origens
- Homem-Aranha - Grandes Desafios Vol. 5
- Watchmen

:: Três dicas de blogs legais para quem quer sair um pouco da mesmice hollywoodiana e assistir aos clássicos do cinema europeu. Tem Fellini, Truffaut, Godard, Buñuel, Antonioni, Bergman, Kieslowski etc. Já viciei e estou montando minha DVDteca caseira. Os blogs são os seguintes: Trixxx Filmes, O Sétimo Projetor e Cinema Cultura. Clique e divirta-se!
:: Ao som do álbum God’s Balls, do TAD!

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Quarta-feira, Abril 15, 2009

U2 - NO LINE ON THE HORIZON

(texto extraído da Rolling Stone #30, março de 2008; texto de Rodrigo Salem)

Turbilhão de referências
U2 segue as velhas pistas, mas não anda em círculos e navega em mar sereno


Bono, quando não está em busca de beatificação, é um marqueteiro de primeira. Quando declarou “Se esse não for nosso melhor álbum, seremos irrelevantes” poucos dias antes de o novo CD vazar para o mundo, o vocalista do U2 não somente desafiou seus depredadores, ele vendeu a idéia que a própria música não pode perder sua relevância, precisa se reinventar. O 11º álbum de estúdio dos irlandeses pode não tornar a música relevante em termos de eventos, mas coloca o grupo outra vez em um patamar que poucos grupos conseguem alcançar hoje em dia. A mudança radical prometida nos moldes de Achtung Baby e Zooropa não existe. O álbum é uma nova criatura formada por 33 anos de U2 e inquietude. “No Line on the Horizon”, faixa de abertura, brinca com a base de guitarras de “The Fly” com o vocal rejuvenescido da época de The Unforgettable Fire. “Magnificent” talvez seja a canção mais U2 da fase recente da banda, remetendo a War (Bono gritando “Magnificent” não ficaria estranho com uma bandeira branca do lado) e a influência de White Stripes nos segundos iniciais. Alguns podem se surpreender com “Moment of Surrender”, mas ela é a evolução natural do projeto Passengers, feito com Brian Eno – produtor de No Line on the Horizon, ao lado de Daniel Lanois e Steve Lillywhite – e de “In a Little While”, soul de All That You Can’t Leave Behind. Ironicamente, não há hits fáceis aqui. “I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight”, que vê Bono brincando de Justin Timberlake, é uma séria candidata a substituir o electro-rock energético de “Get on Your Boots”, mas grande parte da obra é de uma delicadeza e paciência exemplares, como a linda “White as Snow”, sobre um soldado morrendo no Afeganistão, e “Fez – Being Born”, que parece o disco Pop encontrando a trilha sonora de Clube da Luta pelos Dust Brothers. Referências antigas para algo incrivelmente novo? Não foi o próprio Bono que cantou “todo artista é um canibal”?

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Domingo, Abril 12, 2009

BEATLES REMASTERS!

Entra ano, sai ano, nós vemos lançamentos remasterizados de bandas de qualidade muitas vezes duvidosa. E nada de sair algo similar da maior de todas. Claro que estou falando dos Beatles! Desde 1987, quando a discografia da banda foi lançada em CD, os fãs esperam a versão remasterizada dos disquinhos. Mas finalmente essa espera está prestes a terminar. Em setembro próximo, mais exato, no dia 09/09/09, o mesmo do lançamento do jogo Rock Band dedicado aos rapazes de Liverpool, chegará às lojas todos os discos de estúdio do grupo em versão remasterizada. Além dos 12 álbuns de estúdio, também está previsto nesse formato Magical Mystery Tour e a coletânea Past Masters.
Um grupo de engenheiros trabalhou por quatro anos no estúdio Abbey Road, usando tanto equipamentos de alta tecnologia quanto outros antigos, tudo isso para manter a autenticidade e integridade das gravações analógicas originais e assegurar a mais alta fidelidade ao catálogo da banda desde os lançamentos originais dos vinis. Quando os primeiros CDs dos Beatles foram lançados muitos reclamaram da qualidade sonora nos mesmos, dizendo que era inferior ao som dos LPs. Com certeza não haverá esse tipo de problema dessa vez.
Cada álbum conterá as mesmas músicas do LP, até porque todas as sobras já devem ter saído na coletânea em 3 CDs duplos Anthology. Mas as primeiras tiragens virão com um DVD com um documentário sobre a gravação do disco correspondente. Além de estarem a disposição dos fãs em versão separada, também sairá no formato de box set, com 14 CDs e seus respectivos DVDs, além de uma versão chamada The Beatles in Mono, com 10 discos com a mixagem em mono e dois discos extras com músicas que saíram na coletânea Past Masters. Com exceção de The Capitol Albums Vol. 1, que compila os primeiros quatro lançamentos americanos da banda, e Love, trilha sonora de um espetáculo do Cirque du Soleil, esta será a primeira vez que os fãs dos Beatles terão uma experiência completa ao ouvir as músicas de sua banda favorita da maneira que deve ser. Pode ter demorado, mas vai sair caprichado!

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Sexta-feira, Abril 10, 2009

KURT NA CAPA DA ROLLING STONE BRASIL




A Rolling Stone Brasil presenteia os fãs do Nirvana na edição de abril, que já deve estar chegando às bancas. Pela primeira vez, teremos duas opções de capa. Numa delas, mais próximo aos padrões da publicação, temos o Kurt Cobain e todas as chamadas das principais matérias. Na outra, só a imagem do Kurt em preto & branco com as chamadas correspondentes ao próprio. Já reservei essa última na banca. Enquanto a revista não chega a nossas mãos, confira dois textos, exclusivos do site da RS, relembrando a passagem do Nirvana pelo Brasil em 1993, no Hollywood Rock:

:: Estou Aqui, Me Divirta, por Pablo Miyazawa

:: Frustração e Caos, por Paulo Cavalcanti

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Domingo, Abril 05, 2009

15 ANOS SEM KURT COBAIN

Pois é, amigos, hoje faz quinze anos que o Kurt tirou sua própria vida (o corpo foi encontrado dia 8, mas a autópsia revelou que ele estava morto desde o dia 5). O tempo urge (e ruge) e é imperdoável. Lembro que, quando comecei a curtir rock e lia algo sobre o movimento punk dos anos 70, aquilo me parecia tão distante, um outro mundo. E agora já passou 15 anos da morte de Kurt e quase 18 anos do lançamento de Nevermind, mais ou menos o mesmo tempo entre o auge do punk e o início da década de 90.
Bem, quem acompanha com certa frequência esse espaço virtual já sabe da importância de Kurt e do Nirvana na minha formação musical. Quando saiu Nevermind e ouvi (e vi) pela primeira vez “Smells Like Teen Spirit” no saudoso Kliptonita, programa de videoclipes da Record, foi um baque. Eu, que nunca tinha dado bola ao rock pesado, não fiquei imune ao que passava na telinha. Eram tempos diferentes, discos de rock não eram fáceis de serem encontrados nas lojas aqui da cidade, principalmente de uma banda que acabara de estourar. O que eu podia fazer senão comprar uma fita K-7 e esperar tocar algo da banda nas FMs? E foi assim que passei a ter contato com “Lithium”, “Come As You Are”, “In Bloom”, “Stay Away” e “Lounge Act”. Sim, para espanto das gerações mais novas, isso tocava nas rádios de Campina Grande na época, lembro até de ter rolado especiais com Faith No More e Metallica, dá pra acreditar?!
Em 93 tivemos a histórica apresentação dos caras no Hollywood Rock, transmitido pela Globo. Aquilo foi o que me faltava pra me debandar para o mundo do rock de uma vez. O show não teve nada de profissional, parecia um (péssimo) ensaio, mas apesar disso, ou talvez por isso mesmo, achei sensacional! Bastou a dobradinha “Polly” e “About a Girl” para me conquistar. E a quebradeira, a cusparada nas câmeras e a microfonia durante a ainda inédita “Scentless Apprentice” serviram para confirmar que tinha encontrado meu nirvana. A interrupção da transmissão, com a Globo temendo mais bizarrices por parte de Kurt, veio tarde. O estrago estava feito. Finalmente tinha encontrado um tipo de música que combinava com minha visão da vida (e do mundo).
Passou-se pouco mais de um ano, outras bandas entraram no meu radar rock ‘n’ roll, já tinha todos os vinis do Nirvana, andava ao lado da galera do mal no colégio, quando chegou o fatídico dia. Oito de abril de 1994, uma sexta-feira. Estava trancado no quarto ouvindo um K-7 com o álbum Dirt do Alice In Chains gravado, acompanhando as letras numa revista que tinha comprado naquela tarde. Meu pai bate na porta para dar as más noticias. Corri para a TV para ver Boris Casoy falar da morte de meu ídolo. Na época isso não passava pelas nossas cabeças, mas pensando bem, prestando atenção em todos os sinais, não havia outra maneira das coisas acabarem senão em uma tragédia, um suicídio.
Quinze anos depois continuo no circo rock ‘n’ roll, novas e boas bandas continuam a aparecer, mas nada como naqueles velhos tempos. Sei lá, talvez eu esteja velho e rabugento, mas a cada dia que passa tenho mais certeza que nunca mais encontrarei músicas que mexeram tanto com a minha cabeça como àquelas compostas por Kurt Cobain. Rest in peace, Kurt, um dia você consegue.

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Segunda-feira, Março 30, 2009

WHATEVER HAPPENED TO THE COMICS?!

“Esse blog tá uma merda. Bom era quando esse tal de Paranoid colocava uns posts sobre quadrinhos! E alguém avisa a esse retardado que ele não entende porra nenhuma de música pra só falar disso agora.” Ok, ok, a voz do povo é a voz daquele cara lá que eu não creio que exista. Então resolvi dar uma pincelada sobre as HQs que tenho lido ultimamente. Os scans ficam de fora, senão não acabava esse post nunca. Ah, e a versão ultra-mega-motherfucker de Watchmen já está devidamente cofrada.


SANDMAN – DESPERTAR

Finalmente li o volume final da clássica série de Neil Gaiman. Despertar serve mais como um epílogo da saga, depois dos eventos mostrados no volume anterior, Entes Queridos. Aqui temos a despedida a Morpheus, quando revemos vários personagens que foram mostrados ao longo das 75 edições de Sandman, e a chegada de um novo Mestre dos Sonhos, Daniel. Ao final da jornada é inevitável um sentimento estranho, talvez uma sensação de perda, mas isso logo some, quando percebemos que iremos ler e reler essa obra prima por muitos e muitos anos. E parabéns a Conrad! Coisa rara aqui no Brasil ver um tratamento de luxo para um material dessa estirpe, e mais raro ainda, esse tratamento ser mantido até o final. Minha estante só agradece.

PREACHER – RUMO AO SUL


A maldição de Preacher existe, e é implacável! Depois de tomar a série de Garth Ennis da Devir (que vinha mantendo uma certa regularidade), a Pixel, após lançar dois volumes encadernados (Rumo ao Sul é o primeiro, o outro é Guerra ao Sol, ainda na lista de leitura) e alguns especiais, mostra uma banana aos leitores, interrompe todos os lançamentos e nem se dá ao trabalho de dar uma mínima explicação. Enfim... Nesse volume a trama pouco se desenvolve, mas isso não quer dizer uma queda na qualidade. O Ennis parece ter reservado os 7 capítulos reunidos aqui para trabalhar com os personagens, desenvolvê-los. Custer, Tulipa e Cassady continuam sua jornada atrás do Todo Poderoso, e no caminho praticam vodu, encontram uns vampiros emo e, vejam só, fazem as pazes com o Cara de Cu! Sensacional! (Em tempo, já baixei o restante da série; não vou ficar na dependência dessas editoras de merda para ler o final)


MADMAN


Curto e grosso: uma merda, e, em muitos momentos, constrangedor. A crítica adorou essa bosta não sei como. Inovador a cabeça do meu p#&!$! Situações imbecis, vilões idem, herói (herói?!) idem. Salvam-se apenas os desenhos, porque, como roteirista, o Mike Allred é um grande desenhista. Ainda bem que comprei numa promoção, mas o tempo perdido lendo esse excremento em forma de HQ nunca mais eu recupero.


OS MAIORES CLÁSSICOS DO INCRÍVEL HULK VOLUME 1

Tinha a maior curiosidade em ler a fase do Peter David à frente do Golias Esmeralda (ou Cinzento, como o mostrado aqui), mas ao adquirir essa edição me senti meio que ludibriado. Ela traz as primeiras histórias do escritor com o personagem, tudo bem, mas ao ler o prefácio, escrito pelo mesmo, soube que ele tinha pegado o cargo com a saída “repentina” de Al Milgrom da equipe criativa. Ou seja, pode ser o começo de sua fase, mas não é o começo de uma saga. Então a trama começa já numa correria, devido aos acontecimentos que o antigo escritor deixou em aberto. Se você não leu as histórias anteriores, como foi meu caso, vai ficar boiando em boa parte do tempo (as explicações no já citado prefácio não ajudam muito; além disse não tem resumo que substitua a história em si). A parte que eu entendi é interessante, David escreve bem e não deixa a ação cair, e os desenhos do então iniciante Todd McFarlane caem bem. Mas mesmo assim fica aquela sensação que perdemos alguma coisa. Panini, antes do volume 2, quero o volume 0!


MENSAIS

Atualmente estou comprando cinco títulos mensais: Superman, Batman, Liga da Justiça, Homem-Aranha e Gantz. Tenho comprando também X-Men, mas apenas enquanto está saindo Complexo de Messias. Infelizmente a Pixel Magazine nos deixou de mãos abanando.


Superman passa por uma ótima fase. A saga com a Legião acabou na última edição, e foi sensacional em todos os sentidos. Geoff Johns está bem à vontade com o título e os desenhos do Gary Frank são um show a parte (e olha que acho que ele já desenhou melhor). E pelo que tem rolado lá fora, essa fase ainda vai durar muito. Pena que a Supergirl não encontra seu caminho.


No título do Cavaleiro das Trevas também tivemos o final de uma saga importante, A Ressurreição de Ra´s Al Ghul, que achei apenas mediana. Na edição desse mês tivemos a volta da Mulher-Gato, com suas aventuras sempre acima da média. Sinceramente, não sei como esse título foi cancelado! Agora o ponto negativo são os desenhos. O Dini e o Morrison devem cobrar muita grana para escrever os títulos do Morcego, porque a DC está economizando com os desenhistas. Ninguém merece esse tal de Tony Daniel e o Dustin Nguyen.

Depois da fase morna do Brad Meltzer (pelo menos eu achei isso), agora temos o Dwayne McDuffie escrevendo as histórias do principal grupo da DC. Mostrando uma dinâmica similar aos desenhos animados da Liga, as aventuras atuais ficam na categoria de diversão descompromissada. Mas pelo que li por aí, o cara está se perdendo e vem merda por aí. Quem parece em eterna boa fase é a Sociedade da Justiça. O arco Reino do Amanhã, apesar de seu desenvolvimento lento, é leitura de primeira, e tem tudo que um bom gibi de herói deve ter. Johns (novamente ele) tem carta branca e desenvolve vários sub-tramas que, de início, parecem levar a lugar nenhum. Aguardem e confiem! Mulher Maravilha, agora pelas mãos da Gail Simone, mas ainda contando com os belos traços do casal Dodson, está divertido, e o Flash e família tem um foco bem interessante, mas sofre com os péssimos desenhos.


É, tem neguinho radical que deixou de ler o gibi do amigão da vizinhança depois das merdas que a Marvel (leia-se Quesada) fez com o personagem. Nerd boicotador (existe essa palavra?!) é dose! Mas convenhamos, essa nova fase, depois do reboot, está muito legal. Comecei a me interessar pelos quadrinhos de heróis com o Aranha já há uns 20 anos, e essas novas histórias tem um gostinho daquelas que lia naqueles bons tempos. Ação rolando a mil, a velha sorte de Peter Parker, piadinhas infames (e sensacionais), tudo isso em aventuras bem escritas e bem desenhadas. Quem ficou com raivinha da Marvel pelos acontecimentos recentes está perdendo um material de qualidade acima da média.


Para finalizar, Gantz! Dos mangás que tem saído atualmente, esse é o único que tenho acompanhado (Monster tá paralisado, e Slam Dunk tô atrás das edições atrasadas). E a cada edição fica mais viciante! Violento até o talo, com uma sempre bem vinda dose de sacanagem, o autor Hiroya Oku não tem pena de ninguém, e qualquer um pode morrer a qualquer momento nas missões malucas que ele cria. Mas os melhores momentos são aqueles entre as missões, quando vemos os personagens tentando levar uma vida normal. Esse com certeza acompanharei até a edição final.

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Quarta-feira, Março 25, 2009

MUSIC NEWS

:: Novo do Green Day - o novo trabalho de Billie Joe Armstrong e cia, chamado 21st Century Breakdown, sairá em 15 de maio próximo. É o primeiro CD de estúdio desde American Idiot, de 2004, que trouxe uma guinada no som da banda, deixando um pouco de lado o pop punk característico para um som mais trabalhado. Essa nova empreitada promete um passo a frente nessa direção. O álbum será dividido em três atos, Heroes and Cons, Charlatans and Saints e Horseshoes and Handgrenades, que acompanham a vida de um casal, Christian e Gloria. O primeiro single, "Know Your Enemy", sai agora em abril. Quem diria, uma banda punk (vai lá...) usando o artíficio favorito dos progressistas (ou progressivos, depende da tradução), os discos conceituais.

:: Spandau Ballet volta - Lembram deles? Aqueles da baba radiofônica "True"? Pois é, eles estão de volta. Separada desde 1989, a banda anunciou o retorno num navio no rio Thames, em Londres. Já tem shows marcados para a Inglaterra e Irlanda, com oito datas confirmadas. Apesar disso, a ideia é de uma turnê mundial. O ponta pé inicial será em Dublin, em 13 de outubro. A separação da banda foi dolorosa, incluindo a ida aos tribunais. Mas como dizem, o tempo tudo cura. E a possibilidade de uma granhinha no bolso também.

:: Dica rápida de uma rádio on line bem legal: OUI FM. Você tem três opções, a OUI FM, com sons atuais e mais focada no pop rock, a OUI FM 2, mais alternativa, e a OUI FM 3, de sons clássicos. Vale uma conferida! Por exemplo, nesse momento está rolando Offspring na 1, Far na 2 e Creedence na 3.

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Domingo, Março 22, 2009

ESPECIAL RADIOHEAD PT 2

Já já começa o show do Radiohead em São Paulo. Irei conferir no Multishow. Espero que não façam (muita) merda (tô falando do canal, não da banda). Para ir entrando no clima, abaixo trago o texto sobre o esquizofrênico, maluco e chapado Kid A, sucessor do Ok Computer e que deixou muita gente surpresa com a viagem sonora de Thom Yorke e cia. O autor do texto, José Flávio Junior, o compara à In Utero, do Nirvana, e Automatic For The People, do R.E.M.. Colocaria também na lista Angel Dust, do Faith No More. Sem mais delongas, vamos ao texto, publicado na Bizz de outubro de 2000.


RADIOHEAD - KID A


Tudo faz sentido no quarto álbum do Radiohead. Pegue exemplos recentes e reflita: o que o Nirvana fez depois de Nevermind? O que o R.E.M. fez depois de Out Of Time? Kid A, com sua falta de poesia, com sua falta de guitarra, com sua falta de estrofes e refrãos, equivale ao que a brutalidade de In Utero significou para o trio de Kurt Cobain e à leveza semi-acústica que Stipe, Berry, Buck e Mills conseguiram com Automatic For The People. Ou alguém acha que não existe sofrimento em se tornar o maior expoente de um gênero musical, ser o progenitor da obra mais aguardada do ano? Ainda mais para uma banda que foi motivo de piada pela crítica quando apareceu com seu primeiro single nas paradas.
O disco é complicado? Sim, até indigesto, mas não deixa de ser envolvente e de esbanjar qualidades. Quem conhece mesmo Radiohead vai fazer com Kid A o mesmo que uma criança faz quando recebe um ovo de páscoa enorme, que pelo barulho indica estar cheio de bombons. A surpresa é que esse ovo do Radiohead é oco. Ou pode parecer.
Até o meio do disco, é possível arrancar exatas 19 frases completas e diferentes de Thom Yorke. Só, e com muito custo. A abertura, com "Everything In Its Right Place", é fenomenal, envolve pela repetição dos quatro versos. "Kid A", a seguinte, é incompreensível. A voz de Yorke passa por um vocoder do além que não dá a mínima chance ao ouvinte de entender algo. Faz lembrar Tortoise. Com uma linha de baixo ameaçadora, "National Anthem" prossegue a viagem com bateria jazzy e saxofones dissonantes. Bate uma vontade de chacoalhar o corpo como faz o vocalista, que completa mais duas frases. Vem "How To Disappear Completely", com cordas adulteradas, e o clima hipnótico e claustrofóbico da obra se acentua com os versos "Eu não estou aqui/Isto não está acontecendo". "Treefingers" não tem letra, só sobreposição de órgãos.
Aí você respira fundo, porque dos 50 minutos de duração só se passaram 25. "Optimistic" é a que mais se aproxima de algo que poderia tocar no rádio. E é bem quando você está pensando nisso que entra um epílogo chamado "In Limbo" e a canção bate os 8 minutos e 49 segundos. Não, não vai tocar no rádio. "Idioteque": essa pode até mudar o conceito das pessoas sobre o que é música, a obra-prima do Radiohead. Por cima de uma base eletrônica, Yorke parece estar narrando um acidente de avião ou de navio e põe o fã no meio da agonia. Alguns vão desligar o aparelho de som depois dessa. Outros ainda vão ouvir o loop humano de bateria que conduz "Morning Bell", as harpas e o clima Walt Disney de "Motion Picture Soundtrack" e uma vinheta, escondida e sem relevância.
Quem acompanhou o martírio que foi a confecção desse disco, talvez já estivesse esperando tamanha "esquisitice". "Ora, OK Computer não parecia nada fácil à primeira audição e foi o estrondo que foi", poderia se pensar. Mas, não. Kid A é um disco pós-Radiohead (recuse se tentarem vendê-lo como pós-rock). Aquele som que virou o som do Muse e de milhares de bandinhas mundo afora, não pertence mais ao quinteto que o criou. O Radiohead enxergou a situação e trilhou um novo caminho. Gênio.

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Quinta-feira, Março 19, 2009

ESPECIAL RADIOHEAD PT 1 (AGORA VAI!)

"Que burro, dá zero pra ele!" Pois é, o idiota aqui fez merda e postou um texto (texto alheio, por sinal) que já tinha postado antes. A crítica da Bizz sobre o The Bends está, desde 8 de junho de 2006, nesse mesmo batblog de merda. Se ainda se interessar (tem um texto introdutório meu que ficou minimamente legível) você pode conferir clicando aqui. Prometo que, como penitência, irei ler mil vezes as dicas que o Marcelo Camelo deu na última página da Rolling Stone de fevereiro (quem conferiu sabe do baita sacríficio que farei).
Movin' on! Para corrigir essa mancada imperdoável, confira abaixo o texto de Zeca Camargo (ele mesmo) sobre a obra-prima Ok Computer, CD que contem nada mais, nada menos, a música que inspirou meu nome de batismo no mundo virtual, "Paranoid Android", além de "Let Down", "Karma Police", "No Surprises" e outras maravilhas sonoras saídas da alma atormentada de Thom Yorke. O texto saiu na Bizz de agosto de 1997. E se quiser se aprofundar no tema, tem outro texto sobre Ok Computer aqui. Enjoy!



RADIOHEAD - OK COMPUTER

Se fosse para descrever o que OK Computer realmente nos inspira a fazer, esta resenha não poderia nem estar sendo publicada pela SHOWBIZZ - sairia na Playboy. Mas, respeitando princípios básicos da decência, vamos dizer que o novo CD do Radiohead é uma obra-prima da sensualidade. Calma: não é aquela sensualidade óbvia, à la kama sutra e outras bobagens. O prazer de ouvir cada faixa de OK Computer vem de algo muito básico no rock - ou no pop, ou no gênero que você achar melhor -, que foi esquecido há tempos: boas composições. Do momento em que você é seqüestrado pelas duas primeiras músicas ("Airbag" e "Paranoid Android"), não tem resgate que o faça voltar. A primeira, com aquele refrão poderoso, e a segunda, com suas pretensões - perfeitamente preenchidas - de ser uma "Bohemian Rhapsody" compacta: um duplo ataque, quase uma covardia ao ouvinte que se acostumou a viver sem melodia. E por falar nela (a melodia), essas bandinhas por aí podiam aprender uma coisinha ou duas com outras faixas de OK Computer. Como "Let Down" ou "No Surprises". É um prazer saber que alguém ainda se preocupa em fazer músicas sedutoras, envolventes, hipnóticas e brilhantes como essas. Mesmo quando a banda pega pesado ("Electioneering") ou fica mais obscura ("Climbing Up The Walls"), dá para sentir claramente que o Radiohead não perde o instinto básico do entretenimento - de seus membros e fãs. Se não fosse a possibilidade de o Portishead lançar um disco até dezembro, já daria para falar que esse Radiohead é o álbum do ano... Quem gostou de The Bends e/ou por um sacrilégio perdeu Pablo Honey, todo atraso será perdoado ao ouvir OK Computer. Aliás, pode acreditar: uma banda que é boa assim de títulos não pode ser ruim de som.

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