sexta-feira, julho 21, 2006

SEPULTURA, ARISE (1991)

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Com um pequeno atraso de uma semana, devido aos posts especiais dedicados ao Syd Barret, começa aqui uma série de textos sobre alguns grandes discos lançados originalmente em 1991, pelos quais tenho um carinho especial, pois muitos deles foram responsáveis pela minha entrada no mundo do rock. Então, começamos muito bem, com o álbum Arise, do Sepultura, simplesmente o primeiro disco (na época ainda em vinil) de metal que comprei, fato esse comemorado por dois amigos que presenciaram o fato, que deviam pensar que era apenas uma modinha minha até eu desembolsar minha suada bufunfa para comprar o dito cujo.
Bem, com Arise, o Sepultura abril mais portas para sua carreira internacional. Com mais horas de estúdio e mais grana disponível, a banda, ao lado do produtor Scott Burns (uma espécie de Rei Midas do mundo thrash), se alojou na Flórida por um mês e saiu de lá com um punhado de músicas com um salto de qualidade inegável, em relação aos sons antigos da banda. Fruto do crescimento como músicos dos integrantes, principalmente Igor e Andreas. Neste disco vimos a gênese do som tribal (a introdução em “Altered State” mostra bem isso), que veria seu auge em Roots. Há também uma maior experimentação nas guitarras, com os solos com uma maior variação. Os arranjos estão mais elaborados, e o Sepultura demonstra que nem só de velocidade se faz metal pesado. Nos vocais, Max dá, e como, seu recado, com aquele vocal gutural que só ele sabe fazer, e que seu substituto, Derrick Green, apesar de toda boa vontade, não consegue fazer. E todo esse amadurecimento fica mais claro graças à qualidade da gravação, a anos-luz de seus discos anteriores.
O álbum tem ao menos cinco clássicos. “Arise”, a faixa-título, com uma batida frenética do Igor e um riff que gruda instantaneamente, “Dead Embryonic Cells”, onde a pancadaria rola solta, “Desperate Cry”, que contém boas passagens mais melódicas, “Altered State”, com sua longa introdução tribal, e “Orgasmatron”, versão de uma música do Motörhead. Outras faixas, como “Subtraction” e “Under Siege (Regnum Irae)”, também merecem uma conferida mais atenta. Nas letras, muitas críticas sociais e visões apocalípticas. Em “Dead Embryonic Cells”, Max fala sobre guerras bacteriológicas, doenças criadas em laboratórios e outros pesadelos futurísticos. Em “Murder” a inspiração veio do poeta Augusto dos Anjos e seu mais famoso verso, “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Algumas opiniões que saíram na imprensa à época do lançamento de Arise:
“A audição das faixas de Arise não é recomendável para tímpanos delicados (...) O domínio do Sepultura é o da perplexidade: tudo o que há são narrativas descarnadas, histórias que delineiam uma paisagem árida onde a doença, a fome, a tortura, a degradação e a morte reinam incontestes. Relatos brutais para uma sonoridade brutal. Simples assim” (Arthur G. Couto Duarte, no jornal O Estado de Minas)
“O Sepultura está mais lento e infinitamente mais efetivo que antes, quando os rapazes tinham a energia do thrash, mas patinavam no controle de seus instrumentos bestiais. Maduros, eles agora são capazes de introduzir dedilhados sutis e climas góticos na abertura das faixas, como em “Regnum Irae” e “Infected Voice”, as balas que fazem do lado B de Arise uma máquina de seduzir e matar ouvidos desavisados.” (Sérgio Sá Leitão, na Folha de S. Paulo)

Curiosidades sobre Arise:
-Henrique Portugal, do Skank, toca teclados na introdução de “Arise” e em “Desperate Cry”.
-Antes do lançamento oficial em abril de 1991, saiu uma versão ‘crua’ do disco, com uma mixagem provisória, sem “Orgasmatron” e com a capa mostrando apenas um detalhe da arte, com o intuito de aproveitar a escalação do Sepultura no Rock In Rio II, realizado em janeiro. Essa versão agora é uma raridade.
-A capa é um desenho de Michael Whelan, o mesmo de Beneath The Remains, mas a banda tinha preferência por outro desenho do mesmo artista, mas ele acabou sendo usado antes pelo Obituary em seu disco Cause of Death.
-Max Cavalera gravou o vocal de “Orgasmatron” completamente bêbado com meia garrafa de rum. No dia seguinte ele nem lembrava que tinha gravado a música. Se você prestar atenção vai perceber que o vocal está um pouco mais gutural que o normal nessa faixa do disco.

7 comentários:

Joe Ninguém disse...

Cara, estão irados os posts aqui, hein? O melhor albúm do sepultura, pra mim, é o "Roots Bloody Roots". Que bom que você resolveu comprar Adam Strange, a mini é muito bacana mesmo. Já japa girls, ah... é uma grande paixão minha também! meu sonho é viver as aventuras de Frederic Boilet, autor do espinafre de Yukiko. Abraço! Te linkei lá no blog ;)

Paranoid Android disse...

Valeu pelos elogios, Joe. A gente tenta fazer o melhor, hehehe. Linkarei o Mangavelicos entre os blogs recomendados em breve (já cansei de brigar minha conexão hoje). Abraço.

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