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sábado, dezembro 10, 2011

NOEL GALLAGHER'S HIGH FLYING BIRDS

(texto extraído da Billboard Brasil 24, outubro de 2011; autoria de Rodrigo Ortega)

A conexão mais forte entre este primeiro CD de Noel Gallagher e a banda que ele abandonou em 2009, o Oasis, é The Masterplan, álbum de lados B do grupo lançado em 1998. A coletânea tinha várias canções acústicas com tom melancólico, cantadas pelo irmão mais velho. Faixas como “Talk Tonight”, “Going Nowhere” e “Half the World Away”, mais delicadas (adjetivo que pode despertar em fãs de Oasis a vontade de tacar uma lata de Guinness na minha cabeça), se contrapunham à euforia dos primeiros álbuns. A voz de Noel, menos potente do que a de Liam, combina com a fragilidade dessas e outras baladas. Não é inesperado, então, o fato do disco solo ser menos pesado do que a média da antiga banda. Mas não há só voz e violão – os arranjos vistosos lembram “The Importance of Being Idle”, uma das poucas boas surpresas do Oasis nos anos 2000, também com voz de Noel. Ele ousa mais, especialmente em “AKA... What a Life!”, a um remix de distância de ser hit de pista de dança, e ganha de bônus a possibilidade de agradar até a quem não era fã de Oasis. Por essa e outras – como “If I Had a Gun” e “Stop the Clocks” -, mais inspiradas que as do Beady Eye, banda do seu irmão com os remanescentes do Oasis, o placar fica assim: 1 para Noel, 0 para Liam.

terça-feira, novembro 15, 2011

KASABIAN – VELOCIRAPTOR!

(texto extraído da Billboard Brasil 24, outubro de 2011; autoria de Henrique Crespo)


O quarto álbum de estúdio é uma reafirmação, levemente mais pop e menos dançante, dos rumos que a banda vem traçando desde sua estreia fonográfica em 2004. Acid rock, britpop e um pouco de Beatles são como carimbos na música do grupo britânico: a faixa-título ilustra bem o primeiro, a bonita balada “Goodbye Kiss”, o segundo, e “La Fee Verte”, o terceiro. O disco produzido por Dan The Automator – um dos nomes por trás do Gorillaz – é uma viagem sem grandes desvios de rota. A exceção poderia ser “I Hear Voices” que esbarra no eletro. “Re-wired” é um Primal Scream menos viajandão que não faria feio nas pistas. Não deve demorar a ganhar um remix. “Neon Noon” fecha lembrando mais um pouco os Fab Four.

quinta-feira, junho 16, 2011

THE VACCINES – WHAT DID YOU EXPECT FROM THE VACCINES? (2011)

(texto extraído da Billboard Brasil 17, de abril de 2011; autoria de Rodrigo Ortega)

“Eu tenho tempo demais em minhas mãos / Mas você não entende.” O coitado Justin Young nem parece o vocalista da banda nova mais comentada do rock inglês em 2011, os Vaccines. Com visual nada roqueiro, de camisa social para dentro da calça, ele sofre por uma mulher que o deixou sozinho (“A Lack of Understanding”, dos versos acima), por uma que ele vai deixar sozinha (“Who You Are”) e até por outra que deixou o ex-namorado sozinho e transou com ele (“Post Break-Up Sex”). O revival do revival do rock de garagem e os lamentos classe média de Young são capazes de comover pessoas comuns. Difícil é convencer a turma blasé que curte “bandas novas mais comentadas do rock inglês”.

quinta-feira, abril 28, 2011

FOO FIGHTERS - WASTING LIGHT

(texto extraído da Billboard Brasil 17, de abril de 2011; autoria de Braulio Lorentz)




Anunciado pelo guitarrista e vocalista Dave Grohl, 42 anos, como “o disco mais pesado já feito pelo Foo Fighters”, o sétimo trabalho do grupo faz valer o alarde na chuta-portas “Bridge Burning” e na metaleira “White Limo”, com um Grohl de voz irreconhecível de tão distorcida e clipe com participação de Lemmy Killmister, do Motorhead. Mas o Foo Fighters não pretende esmurrar ouvidos o tempo todo. Os gritos e sussurros de “Arlandria”, “These Days” e “Rope” comprovam que o pop ainda tem vez, mesmo sem sequer um violão para contar história. Produzido por Butch Vig (de Nevermind, do Nirvana), o disco tem o baixista Krist Novoselic e o guitarrista Pat Smear – ex-parceiros de Grohl na banda liderada por Kurt Cobain (1967-1994). A reaproximação com o passado ensaiada na gravação com Vig das duas inéditas do Greatest Hits do Foo Fighters lançado em 2009 se confirma nos novos clipes em VHS e nas gravações só com equipamento analógico na garagem da casa de Grohl, em L.A. Segundo ele, ter dois filhos o fez perder o medo de manter o olhar voltado para 1990 e poucos durante as sessões. Há crises de meia-idade que vêm para o bem....

quarta-feira, abril 06, 2011

PJ HARVEY – LET ENGLAND SHAKE

(texto extraído da Billboard Brasil 17, de março de 2011; autoria de Daniel Tambarotti)


Diz o bom senso que aonde essa inglesinha franzina vai, é bom ir atrás. Mesmo que seja para escutar um punhado de músicas sobre a Primeira Guerra Mundial (hã?). As letras políticas e as referências geográficas sobre batalhas históricas não atrapalham a maior surpresa deste seu oitavo álbum de estúdio: a voz aguda de Harvey, cantora sempre elogiada pelos tons graves e timbre sexy. Depois do “quieto” White Chalk, de 2007, as guitarras voltam e as já conhecidas melodias grandiosas ganham a companhia de instrumentos pouco ouvidos no rock, corais de mulheres búlgaras e samples que remetem a cavalarias em ação. Let England Shake é um discaço que mostra a vocação de PJ Harvey para se manter longe da estagnação.

quarta-feira, março 02, 2011

PEARL JAM – LIVE ON TEN LEGS

(texto extraído da Billboard Brasil 16, de fevereiro de 2011; autoria de Henrique Crespo)

Outro?! Pergunta inevitável para uma banda que já lançou uma série de 72 discos ao vivo registrando uma única turnê (Binaural – 2000). Provavelmente encarado como uma continuação do primeiro registro de show deles lançado oficialmente, Live on Two Legs (1998), este vem com a desculpa da comemoração do aniversário de 20 anos. Foi em 1991 que lançaram o álbum Ten, primeiro da discografia. Três músicas da estreia do grupo fazem parte desse set list: “Alive”, “Jeremy” e “Porch”. O disco reúne gravações feitas em shows entre 2003 e 2010. Além do repertório original, “Arms Loft”, de Joe Strummer, e “Public Image”, da banda de mesmo nome, enriquecem o CD. A habitual boa performance do quinteto atenua o efeito “repetição” do lançamento.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

ADELE - 21

(texto extraído da Billboard Brasil 16, de fevereiro de 2011; autoria de Rodrigo Ortega)


Duas partes do corpo da inglesa Adele seguram seu segundo álbum, 21: o cotovelo e a garganta. As dores no primeiro são o tema do álbum. O fim do namoro deve ter sido épico, tamanha a tristeza exposta. Sua voz está ainda melhor que na estreia, 19. As faixas se dividem em dois grupos, correspondentes às reações femininas ao abandono. O primeiro é de raiva, de músicas fortes como o single “Rolling in the Deep” e “Fire in the Rain”. O segundo é de melancolia, da balada soul “One and Only” e outras que esbarram em country (“Don’t You Remember”) e gospel (“Take it All”). 21 teve produção do veterano Rick Rubin (Metallica, Johnny Cash, Beastie Boys) e do jovem Paul Epworth (Kate Nash, Cee Lo Green), com resultado sofisticado e acessível – chegou ao top 10 inglês com vendas maiores que os outros nove colocados somados. A única música alegre é uma releitura: “Lovesong”, do Cure, tem cara de memória feliz no contexto barra-pesada. Na última faixa vem a fase final de um rompimento: a aceitação. Na bela “Someone Like You”, Adele canta: “Tudo bem, eu encontro outro como você”. Se for para gravar um 23 tão triste e belo quanto 19 e 21, tomara que ela não encontre.

quarta-feira, novembro 10, 2010

BLACK CROWES – CROWEOLOGY

(texto publicado originalmente na Billboard Brasil, setembro de 2010; autoria de Daniel Tambarotti)

Se a regra “a cada 20 anos tudo volta” se confirmar e passarmos a ter um revival dos anos 90 (que, por sua vez, tinha no DNA uma vibe meio 70’s), o momento é ideal para o Black Crowes soltar esta coletânea. Ainda hoje afogada em sotaque sulista, visual hippie e groove blueseiro, a banda americana está comemorando duas décadas de existência com Croweology – são vinte músicas em versão acústica. Mas não deixe essa escolha por arranjos desplugados te assustar – os hits continuam com o punch característico do grupo, mesmo que rearranjados para rodinhas de violão. Muito uísque e cigarro deixaram a voz de Chris Robinson ainda mais rouca, e o irmão Rich não deixa a “melosidade” do formato unplugged amolecer seus riffs e solos. “Remedy” ofusca o restante do repertório do CD. E por que diabos deixaram “Sometimes Salvation” de fora?

sexta-feira, outubro 01, 2010

IGGY AND THE STOOGES – RAW POWER (ED. LEGACY)

(texto extraído da Billboard # 10, julho de 2010; autoria de Pedro Só)

Fundamental para o punk rock de Pistols e Clash, este disco está desde 1973 fazendo inimigos e influenciando pessoas. Apesar dos riffs anfetamínicos de James Williamson e das canções geniais de Iggy, o som do álbum sempre foi gongado. Por deixar submersa a cozinha de Ron e Scott Asheton, pela falta de graves e cagadas técnicas variadas. O vilão? David Bowie, que teve três dias para fazer a mixagem do terceiro disco de seus então protegidos. Iggy, que havia se metido a produzir sem saber, posou de vítima depois. Em 1991, Bowie explanou: “Dos 24 canais, só três foram usados. Tinha a banda em um, guitarra em outro, voz em outro. Iggy me pediu: ‘Vê o que você consegue fazer aí’. ‘Cara, não tem nada pra mixar aqui’, eu disse”.

Naquele 1991, Raw Power (força crua) foi relançado em CD com remasterização porca e um arroto a menos. Versão semipirata e podrona, Rough Power viria em 1993, alardeando ser “Bowie-free”. Até que em 1997 Iggy teve a chance de fazer a sua remixagem: deixou tudo no vermelho, com mais peso e distorção, ao gosto pós-grunge. Mas foi só a Sony tirar do mercado o álbum com a mixagem original, que começou a viuveira. Aquela versão “defeituosa” é que tinha enlouquecido gerações de fãs...

Por isso esta nova edição, que soma os velhos e adoráveis defeitos a um disco-bônus gravado ao vivo em 1973, Georgia Peaches. Nele, com som superior ao dos piratas da banda, se ouve mais piano que a guitarra. Talvez por isso, suas delícias são o blues “I Need Somebody” e o boogie chulo “Cock in my Pocket”, sobre um michê recém-chegado a Londres.

sábado, dezembro 26, 2009

ALICE IN CHAINS – BLACK GIVES WAY TO BLUE

O Alice in Chains é uma banda maldita. Não apenas pelo triste fim do seu vocalista, em 2002, como pelo universo obscuro abordado nas canções. Só que neste álbum, primeiro sem Layne Staley, a energia macabra cede espaço à pura potência metal – que sempre foi o diferencial da banda sobre seus contemporâneos de Seattle. Com este trunfo, o grupo vence a desconfiança gerada pela volta após 14 anos, sem um membro-fundador, depois de dois álbuns de pouco sucesso comercial do líder Jerry Cantrell. Black convence por si só. William Duvall, o novo vocalista, se sai bem ao não tentar copiar o estilo distinto e provavelmente inimitável de Staley. Suas entonações são originais e, se por alguns momentos atingem a amplitude do falecido, é por uma semelhança natural entre os dois timbres. A ressonância da voz de Cantrell com a dele não propicia um casamento tão entrosado e, talvez por isso, o guitarrista está um pouco mais calado do que de costume. O baixista Mike Inez nunca se expôs tanto criativamente, e seu passado metaleiro dita o peso do álbum. Ele, Jerry Cantrell e Sean Kinney (bateria) parecem entrosados como nunca. Desconsiderando o importante passado do grupo, este poderia muito bem ser um grande álbum de estréia.

(texto extraído da Billboard Brasil # 01, outubro de 2009; autoria de Carlos Messias)

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O grunge voltou mesmo? Felizmente, não – apenas o Alice in Chains, ou 75% da última encarnação da banda. O fato de ser o primeiro disco de inéditas em 14 anos dá ainda mais crédito ao novo trabalho, que em nenhum momento soa como mera exploração do frequente revival noventista. Pode até ter sido o caso, mas o resultado é honesto, ao ponto de fazer eco ao material que fez o AIC o melhor expoente do rock pesado surgido nos anos 90. No instrumental, a fidelidade é implacável. Black Gives Way To Blue não poderia soar mais Alice in Chains, transbordando dos ingredientes para tanto – os riffs musculosos (“All Secrets Known”), os andamentos modorrentos (“Acid Bubbles”), as paredes de violões (“Your Decision”) e as esquizofrênicas harmonias vocais (“A Looking in View”). A sorte do grupo é ter ótimos músicos (Sean Kinney sempre será um dos bateristas mais subestimados de sua geração). Responsável pelos 25% da novidade, o vocalista William Duvall com certeza não é Layne Staley (morto em 2002), mas cumpre bem a tarefa de fazer a segunda voz ao lado de Cantrell. Não é de mudar o mundo, mas também não o estraga. E é quando o novo frontman se mete a soltar a voz sozinho que a diferença para Staley se evidencia: eles não soam tão assombradamente parecidos como a audição pouco atenta de “Check My Brain” dá a entender. É na verdade o timbre de Cantrell, enlouquecido e tão familiar, que nos remete aos bons tempos que não voltam mais – mesmo que a onda de revival insista em nos dizer o contrário.

(texto extraído da Rolling Stone # 38, novembro de 2009; autoria de Pablo Miyazawa)

domingo, dezembro 13, 2009

PEARL JAM – BACKSPACER

Depois de quase 20 anos, já ficou claro que a raiva é algo essencial para impulsionar o Pearl Jam. Esse sentimento já veio da fama excessiva, das desilusões amorosas, da morte de amigos e, nos últimos anos, da política americana. Backspacer é resultado da ausência de raiva (ou pelo menos da alta intensidade dela). Isso não quer dizer, de forma alguma, que o nono disco de estúdio do grupo seja lento. Eddie Vedder grita como se estivesse em 1991, um contraste em relação à contenção vocal do artista nos últimos anos – o que já é escancarado nas faixas de abertura, “Gonna See My Friend” e “Got Some”, ou em “Supersonic”, mais à frente. As três soam pueris – certamente uma vantagem, já que o U2 e o Coldplay já provêm o mundo com músicas intensas e densas. A primeira faixa de trabalho, “The Fixer”, deixa clara a intenção da banda em revitalizar sua sonoridade: as guitarras até podem soar pasteurizadas, genéricas, mas o arranjo vocal e os teclados soam ousados para uma banda tão tradicionalmente roqueira. Os admiradores da delicada fase solo de Vedder podem pular direto para as “irmãs” “Just Breath” e “The End”, românticas e com arranjos de cordas, ou para “Amongst the Waves”, uma narrativa sobre evolução pessoal, que poderia facilmente ter entrado em Yield (1998). Backspacer é um álbum instável, e sua vantagem está em conseguir se equilibrar entre esses vários momentos. Mais uma prova de que o grupo não quer só continuar, mas também evoluir.

(texto extraído da Rolling Stone # 37, outubro de 2009; autoria de Paulo Terron)

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Depois dos tempos áureos com Ten e VS. na primeira metade dos anos 90, e da sobriedade roqueira no final daquela década – com No Code e Yield, o Pearl Jam produziu discos consistentes de 2000 pra cá, mas nada que se destacasse no montante. E é essa situação que eles procuram corrigir com Backspacer – o titulo faz referência a tecla backspace de um teclado. A banda ainda não demonstra o ímpeto do início da carreira, porém extravasa uma energia que não se via há tempos. Amplia o recorrente universo hard rock, passeando pelo punk, pelo new wave e pelo rock de garagem. “Gonna See My Friend”, faixa de abertura, é uma paulada: riff dinâmico e barulhento, bateria violenta do excelente Matt Cameron e vocais animalescos de Eddie Vedder – dependendo da equalização do seu som, a voz fica quase imperceptível, tamanho a preponderância do instrumental na mixagem. “The Fixer” é um pós-punk singelo com levada moderada e refrão pop.“Just Breathe”, por sua vez, é uma balada que relembra a incursão solo de Vedder na trilha de Na Natureza Selvagem. “Supersonic”, com ritmo acelerado e fraseados de puro gozo guitarrístico, parece uma fusão entre Led Zeppelin e Ramones. Mais do que um trabalho sério, o Pearl Jam parece ter feito um disco por diversão. E o prazer do processo transparece nas gravações.

(texto extraído da Billboard Brasil # 01, outubro de 2009; autoria de Carlos Messias)

domingo, outubro 11, 2009

BREVE NUMA BANCA PERTO DE VOCÊ

(clique na imagem para ampliar; agradecimentos a Marlo "The Batman" Sousa)