segunda-feira, junho 28, 2010

THE BEATLES - WITH THE BEATLES

(texto publicado originalmente na revista ESPECIAL BRAVO! BEATLES; autoria de Sergio Martins)

Com mais dinheiro, George Martin se deu ao luxo de reservar os estúdios de Abbey Road de julho a outubro de 1963, périodo em que o segundo disco dos Beatles foi gravado. A ideia era seguir a mesma linha de Please Please Me. Metade das faixas era composta de covers, a outra metade, original dos Beatles. Só que agora, em vez do Brill Building, a inspiração veio da Motown. As canções de Lennon e McCartney também eram mais bem acabadas e menos derivativas, trazendo um inconfundível toque pessoal. All I've Got to Do, It Won't Be Long e Not a Second Time, todas de Lennon, eram persistentes e incisivas. Little Child era uma brincadeira R&B de John e Paul, com a gaita de Lennon fazendo a diferença. Já McCartney reciclou Hold Me Tight (rejeitada de Please Please Me) e também gravou All My Loving, canção cuja melodia podia agradar pessoas de 8 a 80. George Harrison timidamente saía do casulo e apareceu com sua primeira música em um álbum dos Beatles, chamada Don't Bother Me. John e Paul escreveram I Wanna Be Your Man especialmente para os Rolling Stones. Quando chegou a vez de os Beatles registrarem a canção, Ringo Starr ficou com os vocais e cantou com entusiasmo. Para não quebrar a regra, havia uma cover de um grupo de garotas (Devil in Her Heart, do The Donays), e uma regravação de um clássico de Chuck Berry (Roll Over Beethoven). E Paul novamente veio com uma canção oriunda do teatro musical. Desta vez era Till There Was You, de Meredith Wilson, da peça The Music Man. Os covers da Motown são bem acima da média, incluindo You Really Gotta a Hold on Me (Smokey Robinson & The Miracles), Please Mister Postman (The Marvelettes) e Money (That's What I Want) (Barrett Strong). Aqui, Lennon repetiu a dose de Please Please Me e simplesmente tornou sua uma canção que antes era identificada com outro artista. A capa do álbum foi obra de Robert Freeman. A foto do rosto dos Beatles, clicados como se fossem meia-lua, também se tornou clássica.

domingo, junho 20, 2010

NADA SE CRIA...

Indiano com um visual típico dos hábitos e costumes do povo local.


Arte da minissérie Invasão, da DC Comics, publicada por aqui no começo dos anos 90 pela Abril.

sexta-feira, junho 18, 2010

TITÃS - TITANOMAQUIA

(texto publicado originalmente na BIZZ # 97, agosto de 1993; autoria de André Barcinski)

Data: algum dia perdido em 92.
Local: casa de um dos Titãs. Os sete roqueiros se reúnem para traçar as metas de seu novo álbum.
Paulo: "Bom, galera. E aí? Nosso último disco foi massacrado."
Toni: "É mesmo. Temos que pensar em algo diferente... Vamos começar pelo nome. Alguém tem uma sugestão?"
Nando: "Que tal ´Pa-Ra-Le-Le-Pí-Pe-Do´?"
Marcelo: "Não, nada de poesia concreta. O Arnaldo saiu, se liga!"
Charles: "Que tal um disco grunge? Está bem na moda..."
Sérgio: "Será dá certo?"
Charles: "Porra, até o Capital Inicial está fazendo cover do Pearl Jam!"
Branco: "É mesmo! O Dinho rasgou todas as suas calças e tatuou ´Eu Sou Roqueiro´ na cabeça."
Charles: "A gente poderia chamar aquele cara do Nirvana para produzir, o Butch Vig..."
(segue-se um longo intervalo, durante o qual Charles liga para a gravadora).
Charles: "Rapeíze´, o Butch não dá, mas eles me garantem um tal de ´Jack Albino´.
Paulo: "´Albino´? Legal, talvez ele até curta o Hermeto Pascoal."
Nando: "Mas eu não entendo nada de grunge. Só ouço Tom Zé e Marisa Monte!"
Branco: "Não tem mistério. O negócio é o seguinte: a gente mete umas guitarrinhas distorcidas, fala uns palavrões no meio das músicas e põe no press release que nosso negócio agora é pauleira!"
Marcelo: "Será que vai colar?"
Sérgio: "É lógico. Brasileiro é tudo bundão! A molecada toda só está andando com esse visual grunge, eu vi no Programa Livre."
Toni: "A gente pode fazer umas fotos com visual punk!"
Marcelo: "Oba, vou estrear a minha camiseta do Tad."
Nando: "Você também fez este curso de datilografia?"
Branco: "Só tem um problema: e se esta onda grunge acabar? E se o samba entrar na moda?
Charles: "Bom, acho que talvez o Agepê toparia produzir nosso próximo disco."

terça-feira, junho 08, 2010

PEARL JAM - THE END (LETRA E VÍDEO)

What were all those dreams we shared
Those many years ago?
What were all those plans we made now
Left beside the road?
Behind us in the road

More than friends, I always pledged
Cause friends they come and go
People change, as does everything
I wanted to grow old
I just want to grow old

Slide up next to me
I'm just a human being
I will take the blame
But just the same
This is not me

You see?
Believe

I'm better than this
Don't leave me so cold
I'm buried beneath the stones
I just want to hold on
I know I'm worth your love

Enough
I don't think
There's such a thing

It's my fault now
Having caught a sickness in my bones
How it pains to leave you here
With the kids on your own
Just don't let me go

Help me see myself
Cause I can no longer tell
Looking out from the inside
Of the bottom of a well

It's hell
I yell
But no one hears before I disappear
Whisper in my ear
Give me something to echo
In my unknown future's ear

My dear
The end
Comes near
I'm here
But not much longer

MOMENTO ZOOEY DESCHANEL

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

quinta-feira, junho 03, 2010

O CLUBE DO FILME

Com uma lista enorme de livros para começar minha pequena aventura literária, resolvi começar por um que peguei emprestado. Aliás, antes de falar do livro em si, uma história introdutória. Em dezembro último tivemos um amigo secreto (ou amigo oculto, como queira) no trampo. E no sorteio, a Camile acabou pegando o George, o dono do livro. Ela não sabia o que dar para ele. Um dia, estávamos o George e eu nas Americanas, gastando um tempinho até que a Camile chegasse para irmos ao cinema. E vimos lá O Clube do Filme. Eu tinha lido em algum lugar algo sobre o livro, e achei interessante. Quando o mostrei, ele também pareceu interessado. Bingo! Falei à Camile qual seria um bom presente, e ela acabou comprando o livro para ele. Agora que o li parece que esse foi meu plano o tempo inteiro, fazer a cabeça dela para comprar o livro, para que, eventualmente, ele depois me emprestasse e eu acabasse lendo também. E aí, Camile e George, o que acharam desse meu plano vilanesco?!

Vamos ao livro, então. O Clube do Filme mostra uma história real. David Gilmour, autor do livro e crítico de cinema, conta o período de três anos em que viveu ao lado do filho, Jesse, então com 15 anos, a partir de sua proposta arriscada para tentar colocar o filho nos eixos. Vendo que Jesse não ia bem na escola, David propôs o seguinte: o filho pode abandonar os estudos, desde que se comprometa a assistir a três filmes por semana, escolhidos pelo pai, e com o pai. Essa seria a única educação que ele receberia.

O livro traz então detalhes dessas sessões de cinema, onde eles assistem de tudo, desde clássicos hollywoodianos até a filmes de gosto duvidoso, passando pela nouvelle vague francesa e pelo o que o autor chama de “tesouros enterrados”, sempre com uma pequena aula sobre o filme do momento, que o pai sempre dava antes de, ou até mesmo durante, cada projeção. Ao mesmo tempo acompanhamos o desenvolvimento da relação de ambos, o primeiro, quer dizer, os dois primeiros amores de Jesse, a busca por um trabalho de David, o relacionamento entre sua ex e mãe do filho etc.

Gente, livro bom para mim é aquele que te faz pensar. Não pensar no sentido de tentar entender o que o escritor está dizendo por ter uma linguagem rebuscada. Mas pensar no sentido de refletir, de fazer até um paralelo com nossas vidas. E O Clube do Filme é cheio desses momentos. E o que “dá o gás” durante a leitura são as conversas sinceras, abertas, entre pai e filho. Assim como Jesse aprendeu muito com os filmes, ele também aprendeu com o pai. Aliás, os dois aprenderam muito durante o processo. Não dá para não pensar: E se tivéssemos um pai assim, amigo, confidente? Não seria uma boa? E se tivéssemos um filho problemático, que além de não gostar da escola, torce pela seleção do Dunga, vai para micareta e fica contando no Orkut os dias para o começo do São João? Você não ao menos tentaria mudar os conceitos dele? Bem, funcionou para David e Jesse.

Então, livro mais do que recomendado, tanto para fãs de cinema (fiquei a fim de ver e rever vários dos citados durante a leitura) como para quem procura por uma literatura honesta que mostra uma relação íntima e sincera entre pai e filho. Para dar um gostinho e ser fisgado de vez, confira um trecho clicando aqui.

segunda-feira, maio 31, 2010

LOVELESS - TERRA SEM LEI - DE VOLTA PRA CASA

Uns anos atrás, todo sábado pela manhã, na TNT, era dia de faroeste. Curioso em relação ao mundo do cinema, sempre dava um jeito de assistir a um ou dois deles a cada sábado. Apesar de nunca ter sido um fã do gênero, tinha resolvido dar uma chance. Depois de ter assistido a uma quantia razoável deles, tive a impressão que filme de faroeste é tudo igual. Basicamente o roteiro da maioria deles era mais ou menos assim: um grupo tinha que se deslocar de uma localidade para outra, geralmente levando algo de valor, que poderia ser um carregamento de ouro ou algo do tipo, e o percurso era invariavelmente perigoso. Essa é a história de quase todos eles. Claro, impressão de um não-especialista, para não ser levada a sério mesmo.

Bem, essa introdução é totalmente dispensável, só queria florear o texto mesmo. O assunto aqui é Loveless – Terra Sem Lei, HQ de faroeste do selo Vertigo que acaba de aportar por aqui pela Panini. Peraí! Faroeste?! Cadê os índios, caralho?! Fui enganado, faroeste sem índios não é faroeste porra nenhuma!

Enfim, apesar da propaganda enganosa, o gibi é muito bom, sim, senhor. Escrito pelo Brian Azzarello e desenhado por Marcelo Frusin, a trama tem como protagonista Wes Cutter, um ex-combatente da recém terminada Guerra Civil americana, que volta para sua cidade, Blackwater, para retomar o que acha ser ainda seu, ou seja, sua casa, e voltar à esposa. Como é de se esperar, o cara é todo misterioso, gosta de se perfazer e enfrenta todo mundo como um Chuck Norris cowboy. Azzarello, apesar de não mostrar o brilho de seu melhor trabalho (alguém falou 100 Balas?!), faz o dever de casa direitinho, com umas boas reviravoltas no roteiro e um texto seco, enxuto. Na arte, Frusin, que antes eu considerava apenas um Eduardo Risso menor, soube traduzir bem o que Azzarello queria passar e se sai melhor que a encomenda.

Agora a questão que não quer calar: vale a pena gastar aquele dinheiro suado num gibi que você não tem certeza se vai ter continuidade ou não? Todos sabem da fama da Panini de lançar um volume e não lançar os demais, nos deixando a ver navios depois. Bem, como lado positivo, essa série é curta, 24 edições avulsas, que depois foram encadernadas em 3 volumes lá nos States. Além disso, faroeste vende bem por aqui, olha quantas edições de Tex lotam as bancas, e isso não é de hoje. Quer saber, compra logo essa porra! Melhor que qualquer merda mutante que tem saído por aí. Fora isso, com ou sem final, ninguém vai tirar o seu prazer de ler essa edição.

segunda-feira, maio 24, 2010

LANA MIR

Lana Mir é uma cantora, nascida na Ucrânia, novinha, bonitinha e cheirosinha, que faz um som meio jazz, meio bossa nova, mas com um verniz pop para não assustar ninguém, afinal ela tem contas a pagar. Ela se mudou para Nova York, claro, até porque a cena musical ucraniana é fraquinha que só vendo. Se bem que a desculpa dela para a mudança foi para “expandir sua criatividade musical”. Sei, arranjaram um novo sinônimo para dólar.

Até agora a mimosinha tem um EP lançado (putz, é do tempo de EP? Coisa mais, tipo, século passado!) chamado Goodbye Girl (porra, chegou agora, já quer ir embora?) e seu primeiro álbum cheio sai agora em junho. O que me chamou atenção foi a versão que ela fez para “I Wanna Be Adored”, dos Stone Roses (lembram deles? Fizeram um primeiro disco sensacional e estão devendo algo a altura até hoje), que ficou muito legal. E aqui pra nós, ela cantando “you adore me, you adore me, you adore me...” soa bem melhor que na voz do Ian Brown, if you know what I mean...

Confira abaixo o clipe de “I Wanna Be Adored” e depois dêem uma passadinha no My Space da moça que ela agradece.

quinta-feira, maio 20, 2010

TANTO PRA LER, E TODO O TEMPO DO MUNDO

Agora que sou um filho da puta desempregado, irei me dedicar ao que mais gosto. Ler, ler, ler!!! O que acumulei de material de leitura nesses últimos meses não está nos gibis. Em outras épocas até conseguiria ler uma ou outra coisa no trampo mesmo, pois o serviço não era assim tão volumoso, mas é o que dar fazer amigos, qualquer tempo livre você fica jogando conversa fora. E nesses últimos 45 dias então, quando além do trabalho, fiz um curso preparatório para o concurso da Caixa do último domingo, minha vida se tornou uma correria, nem lembro quando foi a última vez que assisti a um filme.

Mas isso tudo agora é passado. Terminou meu contrato de dois anos no IBGE, a prova da Caixa passou (e foi um fracasso retumbante) e, até o próximo concurso, estou com todo o tempo livre para colocar a leitura em dia. E além das velhas HQs de sempre, muitos livros, dos mais diversos estilos. Abaixo segue a listinha completa, com fotos, deixando de fora os gibis mensais e as revistas.

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway / Reações Psicóticas, de Lester Bangs
Tristessa e Geração Beat, ambos de Jack Kerouac
A Filosofia do Punk, de Craig O'Hara / Uma Longa Queda, de Nick Hornby
Alta Fidelidade e Um Grande Garoto, ambos de Nick Hornby
1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer, vários / The Beatles - A Biografia, de Bob Spitz
Cobain, dos Editores da Rolling Stone / As Melhores Entrevistas da Rolling Stone, vários
Sgt. Rock / Mulher-Gato - Um Crime Perfeito
Demolidor - Diabo da Guarda / Homem-Aranha - Grandes Desafios 5
Coleção DC 70 Anos Liga da Justiça e Batman
Coleção DC 70 Anos Mulher-Maravilha e Flash
Coleção DC 70 Anos Superman e Lanterna Verde
Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor vol. 3 / Os Maiores Clássicos do Capitão América vol. 1
Marvel Apresenta 43 e 45
Jimmy Corrigan - O Menino Mais Esperto do Mundo / Umbigo Sem Fundo
Ex Machina - Fato Vs Ficção / Fábulas - A Marcha dos Soldados de Madeira
Loveless - Terra Sem Lei / Os Perdedores - Hora do Troco
Y - O Último Homem - Extinção / Hellblazer - Congelado
Jenny Sparks - A História Secreta do Authority / Preacher - Guerra ao Sol
Coringa / Demolidor - O Homem Sem Medo
Preacher - Salvação / Transmetropolitan - De Volta às Ruas

Agora é se organizar e arranjar tempo para ler tudo isso. A biografia dos Beatles, para você sentir o drama, tem quase mil páginas! E tem coisa aí, tipo o especial da Mulher-Gato, que adquiri há quase dois anos. Mas, parafraseando Renato Russo, tenho todo o tempo do mundo...

terça-feira, maio 11, 2010

THE BEATLES – PLEASE PLEASE ME

(texto publicado originalmente na revista ESPECIAL BRAVO! BEATLES; autoria de Sergio Martins)

O disco de estreia dos Beatles esbanja frescor e vitalidade. A ideia inicial era gravar a banda ao vivo no The Cavern Club, em Liverpool. Como as condições técnicas não eram adequadas, o produtor George Martin preferiu levar os rapazes para os estúdios de Abbey Road. O álbum todo foi gravado no dia 11 de fevereiro de 1963, com os trabalhos começando às 10 da manhã. O conceito foi mantido. O disco tinha que ser um registro de como os Beatles soavam no palco. Por isso tudo foi feito ao vivo, com poucos overdubs. O álbum mostra como Lennon e McCartney tinham florescido como compositores. Das 14 canções, oito são da dupla. O disco foi “recheado” com Love Me Do, PS I Love You, Please Please Me e Ask Me Why, que tinham sido lançadas um pouco antes em singles de sucesso. As outras faixas originais são exemplares. Uma delas, I Saw Her Standing There, um rock cheio de energia concebido por Paul, logo se tornou standard. Misery tinha sido escrito para a cantora Helen Shapiro. There’s a Place, de Lennon, era original e personalíssima. A balada Do You Want To Know a Secret foi escrita por Jonh para o amigo Billy J. Kramer e no álbum ganhou vocal de George. Os covers mostram que os Beatles estavam muito interessados no som criado pelos compositores americanos do Brill Building, que escreviam para os grupos de garotas. Assim tem Chains (The Cookies), Boys e Baby It’s You (ambas da Shirelles). A inclusão de A Taste of Honey é uma amostra do ecletismo de Paul. A canção veio de uma peça de teatro, mas os Beatles se basearam na gravação de Lenny Welch. Em Anna (Go To Him), Lennon prestou homenagem ao mestre do R&B Arthur Alexander. Porém, ele se superou em Twist and Shout. Foi a última musica a ser gravada. John, que estava se recuperando de um resfriado, deu a performance de sua vida, berrando desbragadamente e fazendo todos esquecerem a versão original dos Isley Brothers. A foto da capa de Please Please Me foi feita por Angus McBean. A princípio, os rapazes seriam fotografados no zoológico, mas eles simplesmente foram levados para a sede da EMI, em Manchester Square, e fotografados de cima para baixo. Simples mas icônico.

quarta-feira, abril 21, 2010

PJ HARVEY - STORIES FROM THE CITY, STORIES FROM THE SEA

(texto publicado originalmente na Bizz 186, janeiro de 2001; autoria de Luís Antônio Giron)

Em peso, os especialistas juram que o quinto CD em oito anos de carreira da cantora e compositora inglesa Polly Jean Harvey é um manifesto de alegria. Assim, o álbum se distinguiria dos anteriores, como Dry, que lançou PJ Harvey ao céu dos depressivos do rock em 1992. Afinal, argumentam, Polly está de namorado novo, mudou-se para Nova York e tudo isso se reflete nas 12 canções de Stories From the City, Stories From the Sea. Não consigo ouvir nada disso no CD. O que percebo no novo trabalho de PJ é uma excelente arremetida artística do gótico sofisticado comum na década de 80 - na qual a musicista foi beber no início da carreira - para um estilo mais claro, inspirado no pré-punk da cantora Patti Smith. E, claro, a presença da terra natal desta, Nova York, se faz sentir em sua paisagem mental. A vida íntima da cantora interessa bem menos do que sua elaboração sonora. O fato é que a linguagem musical se tornou mais definida, os acordes do violão ganharam em nitidez e, nos teclados, sua digitação adicionou sutileza. A voz perdeu o "blur" adolescente. Agora ela salta oitavas para jogar com graves e agudos, mas sem quebrar as notas como faziam os grunges. PJ exibe um vocal mais lírico, afinado e sintonizado com a vida eletrônica - que exige precisão do som para que seja posteriormente reciclado. Nova York comparece nas letras: o terror das ruas em "Big Exit", a nostalgia da casa interiorana em "A Place Called Home", a prostituição em "The Whores Hustle And The Hustlers Whore" e amor, muito amor cosmopolita em "This Mess We’re In", "Kamikaze", "This Is Love", "We Float", baladas planas e lentas como suspiros. "Beautiful Feeling", com melodia lúgubre e versos líricos, sintetiza o CD: o amor é melancólico, PJ Harvey também. Não está mais feliz, não. Como artista, o que ela mostra é mais maturidade.

MOMENTO ZOOEY DESCHANEL

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

segunda-feira, abril 12, 2010

MUSIC NEWS

:: O Supergrass anunciou que está se separando. Num comunicado oficial da banda, disseram que ainda continuam amigos, mas que, com o decorrer dos anos, as diferenças musicais (sempre isso!) se acentuaram o suficiente para desejarem que cada um seguisse seu caminho. Apesar dos caras estarem trabalhando num novo álbum, não se sabe se ele será lançado ou não. Quatro shows de despedida já estão marcados, sendo três deles na Inglaterra e um em Paris. O Supergrass, considerado meio que o patinho feio do Britpop, durou 17 anos e lançou seis discos de estúdio. E até o meu cachorro conhece o megahit "Alright", da estreia I Should Coco. É, mais uma banda do glorioso anos 90 que se vai...

:: Para marcar os 30 anos do clássico The Wall, do Pink Floyd, Roger Waters, idealizador do disco, anunciou uma turnê comemorativa. Mais de 30 datas já estão confirmadas só em território americano, começando em setembro. The Wall está no top 5 dos discos mais vendidos de todos os tempos nos EUA, e traz músicas essenciais como "Confortably Numb", "Another Brick in the Wall Pt 2", "Mother", "Hey You" etc.

:: Numa eleição realizada pela BBC entre os internautas para eleger os melhores guitarristas dos últimos 30 anos, deu John Frusciante em primeiro lugar. O ex-Chili Peppers, e que também tem uma carreira solo prolífica, ficou com 13,9% dos votos, seguido de Slash (ex-Guns´N Roses) Matt Bellamy (Muse), Johnny Marr (ex-Smiths) e Tom Morello (ex-Rage Against the Machine). Confira a lista completa aqui.

:: Rest in Peace, Malcolm McLaren. Se bem que eu sempre fui mais fã do The Clash...

sábado, abril 10, 2010

NIRVANA - LIVE AT READING

(texto publicado originalmente na Rolling Stone # 40, de janeiro de 2010; autoria de Pablo Miyazawa)

A apresentação do Nirvana no Reading Festival, em 30 de agosto de 1992, é o retrato bem pintado de uma banda no ápice de sua competência e popularidade – mesmo que, na prática, seus próprios integrantes não dessem muita importância para isso. Apesar de se tratar do show mais alardeado e pirateado da efêmera saga do trio, o lançamento oficial de Live at Reading serve como o desfecho justo para 2009, um ano marcado pela macabra onipresença póstuma de Kurt Cobain. O material apresentado no DVD, felizmente, passa longe da atitude pé-na-jaca que permeou os shows em território brasileiro, ocorridos em janeiro de 1993. A escassez de cenas e ruídos da plateia chega a gerar um estranho senso de “lugar comum”, como se, visto fora do contexto, aquele fosse um show do Nirvana como outro qualquer. Muito pelo contrário: a performance documentada é clássica, afiada e quase infalível, além de icônica em vários aspectos – desde a entrada triunfal de Kurt, de peruca e avental hospitalar, empurrado em uma cadeira de rodas, à perturbadora presença no palco do ilustre desconhecido Antony Hodgkinson, convidado pela banda a dançar alucinadamente até a música chegar ao fim.

domingo, abril 04, 2010

RÁPIDO & RASTEIRO

:: Definitivamente terça-feira, às 10 da noite, é o horário mais concorrido na TV paga. Se já tínhamos nesse horário Lie To Me na Fox e Flashforward no AXN, essa semana estreia o aguardado remake de V na Warner. O jeito é assistir uma delas na terça mesmo e as demais durante os reprises no fim de semana. E sim, sou da espécie rara que não baixa séries e tem paciência para esperar a exibição na TV mesmo.

:: Lúcio Ribeiro não é um dos críticos musicais mais confiáveis, mas vez ou outra ele acerta uma. Passando pelo blog do dito (link a direita), conheci uma banda chamada The Boxer Rebellion. Sou péssimo com primeiras impressões, mas minha amiga Camile, que nem tem um gosto musical, assim, uma Brastemp, matou a charada ao dizer que o som dos caras lembra muito o U2 do comecinho. Confira Flashing Red Light Means Go e Evacuate e tire suas próprias conclusões, enquanto eu penso em fazer um post exclusivo dedicado à banda.

:: Conhecem o Porra Felipe? E o Porra Finatti? E o Porra Maurício?! Não?!?!?!

:: Seguinte, estou nas minhas últimas semanas no IBGE, completo 2 anos lá no comecinho de maio e de presente ganho um belo de um pé na bunda. Por isso estou me preparando para novos concursos. Um deles já é no próximo domingo, o outro lá pela metade de maio. E estou até num cursinho preparatório para esse último. Minha vida tá uma correria, chegando em casa durante a semana lá pelas 10 da noite, apenas em tempo para assistir algumas das séries citadas acima, e estudando na maior parte do tempo livre. Além disso, meu humor não tá numa boa fase, deve ser TPPB (tensão pré-pé na bunda). Mas mesmo assim não quero deixar minha querida bodega aqui às moscas. Portanto a quantidade de Ctrl C, Ctrl V aqui vai aumentar nesse período, certo?

:: Amanhã faz 16 anos da morte de Kurt Cobain. Sim, eu sei que a maioria de vocês está de saco cheio de ler algo sobre meu ídolo máximo aqui no S&D. Só queria registrar a data mesmo. Relaxem!

:: Ao som do álbum The Colour and the Shape, do Foo Fighters. Acredita que essa maravilha já tem seus 13 anos de existência?!