quarta-feira, setembro 22, 2010

SONS DA DÉCADA

Tá rolando um tópico lá no MBB pedindo para o pessoal fazer uma listinha com as melhores músicas da primeira década do milênio. Fiz uma que ficou gigante. E como essa merda aqui tá parada (tenho que dar um jeito nisso), vou colocá-la aqui para o bel prazer dos meus amados visitantes. Sem ordem de preferência, ficou mais ou menos assim:

:: Revolution (in the summertime) - Cosmic Rough Riders

:: Toys and flavors - The Hellacopters

:: Going inside - John Frusciante

:: California - Rufus Wainwright

:: Chop suey - System of a Down

:: Soul singing - Black Crowes

:: Hard to explain - Strokes

:: We're going to be friends - White Stripes

:: Follow the light - Travis

:: Another morning stoner - Trail of Dead

:: I am the highway - Audioslave

:: God put a smile upon your face - Coldplay

:: PDA - Interpol

:: Hurt - Johnny Cash

:: Across the night - Silverchair

:: Take it off - Donnas

:: Time for heroes - Libertines

:: Get free - Vines

:: Are you gonna be my girl - Jet

:: I'm a terrible person - Rooney

:: The hunger - Distillers

:: That great love sound - Raveonettes

:: Maps - Yeah Yeah Yeahs

:: Take me out - Franz Ferdinand

:: Wake me up when september ends - Green Day

:: Everybody's changing - Keane

:: Empty souls - Manic Street Preachers

:: Shame - PJ Harvey

:: Silence is easy - Starsailor

:: Somebody told me - Killers

:: Miracle drug - U2

:: Ain't no easy way - Black Rebel Motorcycle Club

:: Another round - Foo Fighters

:: I predict a riot - Kaiser Chiefs

:: Unsatisfied - Nine Black Alps

:: The importance of being idle - Oasis

:: I never came - Queens of the Stone Age

:: Love is a game - Magic Numbers

:: A certain romance - Arctic Monkeys

:: Everybody knows you cried last night - Fratellis

:: Go with the flow - Queens of the Stone Ag

:: Break the night with colour - Richard Ashcroft

:: In the crossfire - Starsailor

:: Weekend without makeup - Long Blondes

:: Pullshapes - The Pipettes

:: Steady, as she goes - Raconteurs

:: Do me a favour - Arctic Monkeys

:: The pretender - Foo Fighters

:: No I in threesome - Interpol

:: The angry mob - Kaiser Chiefs

:: Charmer - Kings of Leon

:: Autumnsong - Manic Street Preachers

:: Time to pretend - MGMT

:: All I need - Radiohead

:: Under the blacklight - Rilo Kiley

:: Low - Silverchair

:: The last fight - Velvet Revolver

:: Boyfriend - Alphabeat

:: Ballad of Hugo Chavez - Arkells

:: You're a waste - Be Your Own Pet

:: Happy as can be - Cut Off Your Hands

:: You don't know me - Ben Folds (feat Regina Spektor)

:: Mercy - Duffy

:: Sex on fire - Kings of Leon

:: Standing next to me - Last Shadow Puppets

:: The day that never comes - Metallica

:: I'm outta time - Oasis

:: Iodine - Sons & Daughters

:: Always where I need to be - The Kooks

:: The couples - Long Blondes

:: That's not my name - Ting Tings

:: Ghouls - We Are Scientists

:: Your decision - ALice in Chains

:: Crying lightning - Arctic Monkeys

:: Sweet about me - Gabriella Cilmi

:: (The night will) bring you back to life - Idlewild

:: Fire- Kasabian

:: Cover my eyes - La Roux

:: Who'd have known - Lily Allen

:: I'm throwing my arms around Paris - Morrissey

:: The end - Pearl Jam

:: I don't know what to do - Pete Yorn/Scarlett Johansson

:: Ashtray heart - Placebo

:: Flashing red light means go - Boxer Rebellion

:: Cheat on me - Cribs

:: Boys who rape (should all be destroyed) - The Raveonettes

:: Magnificent - U2

:: (If you're wondering if I want you to) I want you to - Weezer

:: Hung up - Madonna

:: Times like these - Foo Fighters

::Gonna see my friend - Pearl Jam

:: Seven nation army - White Stripes

:: Irish blood, english heart - Morrissey

:: Can't stop - Red Hot Chili Peppers

:: California waiting - Kings of Leon

quinta-feira, setembro 09, 2010

DISCOTECA BÁSICA: THE SMITHS - THE QUEEN IS DEAD (1986)

(texto extraído da BIZZ 141, de abril de 1997; autoria de José Augusto Lemos)


Talvez ainda seja cedo demais para avaliar o verdadeiro impacto dos Smiths na história do rock’n’roll e da cultura pop. Poucas vezes foi tão rápido e fácil conquistar a adulação simultânea de público e crítica, pelo menos na velha Grã-Bretanha. E as primeiras manifestações mágicas da parceria Mornissey/Marr- singles preciosos como "Hand In Glove" e "What Difference Does It Make?" - já chegaram com sabor de clássicos instantâneos. Por outro lado, não é nada fácil encontrar traços de suas influências na atual geração de bandas...

Os Smiths foram o último suspiro de originalidade no rock britânico, a última banda relevante da explosão indie e o último legado da linhagem de Manchester que havia dado Buzzcocks e Joy Division. Seus verdadeiros trunfos estavam em suas excentricidades: conseguiram soar ao mesmo tempo extremamente punk e pop, sem contar o homoerotismo celibatário, sem plumas ou paetês, desconcertante para os padrões da usina de entretenimento infanto-juvenil.

O grupo estava mais que estabelecido no Olimpo do estrelato quando atingiu a maturidade e a perfeição em The Queen Is Dead. O disco implodia de maneira grandiloqüente a enxuta estrutura musical da banda. Uma orquestra de cordas transformando algumas das canções em verdadeiros épicos era o gesto de maior risco, tornando o som dos Smiths mais deslocado no tempo do que nunca. Este era o caso da ultradebochada faixa-título, do romantismo suicida de "There Is A Light That Never Goes Out" e da quase patológica "I Know It’s Over", certamente o momento mais ousado de Morrissey, compondo uma dilacerante canção de amor e adeus para a própria mãe.

A grande surpresa do disco estava, porém, no humor desenfreado, trazendo leveza de alma e os confortos do ceticismo à artilharia pesada que avacalhava a família real sem misericórdia em "The Queen Is Dead"; imaginava mortes sádicas para Margaret Thatcher em "Bigmouth Strikes Again"; ridicularizava à todos os medíocres do planeta em "Pranky Mr. Shankly" e extraía boas gargalhadas da obsessão pelo sexo com a impagável "Some Girls Are Bigger Than Others". Nem um amigo como Howard Devoto - outro grande letrista de Manchester, líder do Magazine - escapou ileso, da febre zombeteira que tomou o vocalista dos Smiths. Em "Cemetery Gates", ele compõe um hilariante manifesto narrando um passeio dos dois entre lápides e exibições de erudição, para concluir: "Você tem Keats e Yeats ao seu lado, mas perde/ Porque Oscar Wilde está no meu." A mensagem é fechada para quem desconhece a literatura inglesa do século passado, mas basta dizer que, celebrando a vitória do mais leviano senso de humor sobre a sisudez, o idealismo e o classicismo, Morrissey resumia em uma cápsula o espírito do disco. Tentando sacudir seus conterrâneos para acordarem de seu "passado glorioso" antes que McDonalds, Pizza Hut, Tom Cruise e Demi Moore tomassem conta, o bufão da agonia fracassou de maneira retumbante. Como popstar, porém, não se deu mal: seus discos solos podem ser irregulares mas nunca entediantes (mesmo perdendo as insuperáveis melodias de Johnny Marr) e suas turnês americanas atraem multidões de adolescentes histéricas. O mesmo não se pode dizer do parceiro-guitarrista que hoje se dedica no derivativo duo Electronic, em que ele e Barney Summer sujam a reputação de Smiths, Joy Division e New Order - isto é, pelo menos 80% do melhor rock de Manchester.

É realmente intrigante para a geração que deixou a adolescência pela chamada idade adulta nos anos 80 (ouvindo coisas como Echo & The Bunnymen e Smiths) estar representada hoje, no megaestrelato, por baba diluída como R.E.M. (afinal, Michael Stipe tietou Morrissey incansavelmente!) e U2 (provando que Brian Eno realmente transforma água em vinho!). Mas, assim como o Oasis xeroca os Beatles, ainda podem surgir alguns moleques ingleses para refrescar a memória coletiva bebendo na fonte de Morrissey e Marr.


Performance

Ano de lançamento: 1986

Produção: Morrissey e Johnny Marr.

Engenharia de som: Stephen Street

Faixas:

"The Queen Is Dead"

"Frankly Mr. Shankly"

"I Know It’s Over"

"Never Had No One Ever"

"Cemetery Gates"

"Bigmouth Strikes Again"

"The Boy With The Thorn In His Side"

"Vicar In A Tutu"

"There Is A Light That Never Goes Out"

"Some Girls Are Bigger Than Others"

sexta-feira, agosto 20, 2010

STONE TEMPLE PILOTS - IDEM (2010)

(texto publicado originalmente na Rolling Stone # 44, maio de 2010; autoria de Pablo Miyazawa)

O Stone Temple Pilots retornou das cinzas, e o que poderia ser uma volta melancólica (ou a evidência de um processo irreversível de decadência) é capaz de surpreender os céticos. A conta é simples: o que Nº 4 (1999) e Shangri-La Dee Da (2001) tinham de soturno e agressivo, o novo disco tem de intenso e energético, uma atitude que seria de se esperar apenas de músicos estreantes. O detalhe é que o novo STP jamais soa como um grupo cujos membros já passaram dos 40 (o guitarrista Dean DeLeo faz 50 em 2011) e que coleciona causos de brigas internas e abuso de drogas – principalmente o vocalista Scott Weiland, que muitos acham surpreendente o fato de ainda estar vivo. E é a voz do frontman o grande achado: brilhante, às vezes estilizada, ela jamais remete à rouquidão quase depressiva expressada nos últimos discos. Também não há baladas de cortar os pulsos, como “Creep”, nem épicos melancólicos, como “Plush”. O clima está mais para o alto-astral incontido de rocks diretos como “Big Bang Baby” (de Tiny Music, de 1996). “Between the Lines” resume o ar de empolgação, que se estende por “Huckleberry Crumble” e “Hickory Dichotomy” – esta marcada por um riff atrevido de country e pelo baixo sempre robusto de Robert DeLeo. Havia grandes chances de essa retomada ser um vexame homérico. Não foi. É esperar para ver quanto tempo dura a trégua.


OBS: também estou aqui agora. É tipo uma versão drops do S&D que você já conhece, com pequenas pérolas do meu dia-a-dia. Prestigie!

sábado, agosto 14, 2010

WILCO - SAY YOU MISS ME (LETRA E VÍDEO)

I've been sleepin' alone, out on my own
I'm sure it seems like I'm takin' my time to get back to you
You been doin' your part, working real hard
I'm not lying, sure it seems like I'm trying to get back at you
Do you miss me too?
Baby say I'll miss you, just say you'll miss me too
Do you miss me too?
Baby say I'll miss you, just say you'll miss me too
I've been losing my mind, wastin' my time
I'm not crazy, sure it seems like I'm lazy, lets get back to you
You been takin' it hard, I know it's hard
I'm not lyin' sure it seems like I'm tryin' to get back at you
Do you miss me too?
Baby say I'll miss you, just say you'll miss me too
Do you miss me too?
Baby say I'll miss you, just say you'll miss me too
Well I been mixed up since the break up
Well all I need you to say
Well everythings o.k.
Baby say I'll miss you, just say you'll miss me too

domingo, julho 18, 2010

THE LONG AND WINDING ROAD

Por volta de 1994/95, ouvia um programa de rádio chamado Rock Sport numa FM local. Era horroroso! Mal produzido, tocava muito death metal, sempre tinha aquelas músicas que a gente já nasce com abuso, tipo "Smoke on the Water" do Deep Purple e "Number of the Beast" do Iron Maiden, o locutor era lastimável etc. Ah, e o “Sport” no título era só um bloco sobre esportes radicais. Como disse, um horror! Mas numa época sem internet e sem aceso a MTV, era o local pra ouvir algumas bandas que a gente via na Bizz. E certo dia rolou Flop! Tinha curiosidade de ouvir a banda desde que li uma resenha mais que elogiosa numa edição da Bizz (reproduzida abaixo). Gravei a música, chamada "Regrets", num K7 e passei a ouvi-la repetidas vezes. E desde aquele dia pensava, “um dia consigo esse disco dos caras”.
Bem, com a internet, anos depois, começou uma batalha para conseguir baixar Whenever You’re Ready, a bolachinha que continha “Regrets”. Procurei, procurei e procurei. Sem nenhum resultado. Ainda lembrava, vez ou outra, da banda e fazia uma nova busca virtual, sempre dando em nada. Ontem, novamente lembrei-me do Flop e mais uma vez fiz uma busca. Fui no 4shared, digitei o nome da banda e o nome do disco e... ACHEI!!! Puta que pariu! Quase caí pra trás! Quando a gente menos espera, né?! ADOREI!!! Já ouvi o disco duas vezes, e a tal da "Regrets" passou pelo player 6 vezes. E claro já passei tudinho pro meu MP4 para ter uma boa companhia durante a semana. Rock bubblegum de ótima qualidade! Confira abaixo o texto da Bizz (publicado na edição 105, de abril de 1994, e escrito por Ricardo Alexandre), o vídeo de "Regrets" e aproveite e faça meus passos do 4shared.


FLOP - WHENEVER YOU'RE READY
É chato estragar a alegria de alguém, mas se você descobriu algum grupo novo recentemente e anda espalhando que é o máximo, ouça este álbum e modifique os seus conceitos. Esta é uma banda de Seattle (ôpa!) formada por quatro moleques com caras de nerds e as cabeças encharcada de The Monkees, The Seeds e outras amenidades psicodélico-garageiras e do bubblegum americano. Passa bem longe do grunge, pode ficar tranqüilo. Mal comparando, o grupo é um Teenage Fanclub mais porquinho, com melodias pop perfeitérrimas e guitarras canibais vazando feedback por todos os lados, tudo no mais ensolarado descontrole juvenil. O senso de melodia da banda é aterrador. Os vocais são angelicais, lembrando The Hollies e Herman´s Hermits. A habilidade dos caras para compor catchy songs grudentas pode ser comprovada em pérolas como "Awylie" e "Regrets", ou então na quase balada "Parts I & II". Pode acreditar: esta é a atual melhor banda de rock de todos os tempos.

terça-feira, julho 13, 2010

RAMONES - ACID EATERS

(texto publicado originalmente na Bizz # 102, de janeiro de 1994; autoria de Sergio Martins)

Prepare-se para a meia hora mais divertida de sua vida. Em Comedores de Ácido, os Ramones, que volta e meia são citados como influência máxima por alguma banda, dessa vez trocaram as bolas e decidiram homenagear seus ídolos. A seleção vai da surf music da dupla Jan & Dean à Creedence, passando por Rolling Stones e Eric Burdon. Todas tocadas no "padrão Ramones de qualidade", ou seja, curtas e no maior pau. O baixista CJ Ramone dá uma canja como vocalista em três músicas, e há pelo menos duas participações especiais: Pete Townshend, do Who, nos vocais de "Substitute", e a ex-rainha do cinema pornô Traci Lords detona um dueto com Joey Ramone em "Somebody to Love". Ah, e ainda tem Sebastian Bach, do Skid Row, mas isso não tira o brilho do disco.

quarta-feira, julho 07, 2010

BEST PICTURE EVER!!!

Pearl Jam e Dave Grohl, juntos em show na cidade de Werchter, Bélgica, em 4 de julho último.

segunda-feira, junho 28, 2010

THE BEATLES - WITH THE BEATLES

(texto publicado originalmente na revista ESPECIAL BRAVO! BEATLES; autoria de Sergio Martins)

Com mais dinheiro, George Martin se deu ao luxo de reservar os estúdios de Abbey Road de julho a outubro de 1963, périodo em que o segundo disco dos Beatles foi gravado. A ideia era seguir a mesma linha de Please Please Me. Metade das faixas era composta de covers, a outra metade, original dos Beatles. Só que agora, em vez do Brill Building, a inspiração veio da Motown. As canções de Lennon e McCartney também eram mais bem acabadas e menos derivativas, trazendo um inconfundível toque pessoal. All I've Got to Do, It Won't Be Long e Not a Second Time, todas de Lennon, eram persistentes e incisivas. Little Child era uma brincadeira R&B de John e Paul, com a gaita de Lennon fazendo a diferença. Já McCartney reciclou Hold Me Tight (rejeitada de Please Please Me) e também gravou All My Loving, canção cuja melodia podia agradar pessoas de 8 a 80. George Harrison timidamente saía do casulo e apareceu com sua primeira música em um álbum dos Beatles, chamada Don't Bother Me. John e Paul escreveram I Wanna Be Your Man especialmente para os Rolling Stones. Quando chegou a vez de os Beatles registrarem a canção, Ringo Starr ficou com os vocais e cantou com entusiasmo. Para não quebrar a regra, havia uma cover de um grupo de garotas (Devil in Her Heart, do The Donays), e uma regravação de um clássico de Chuck Berry (Roll Over Beethoven). E Paul novamente veio com uma canção oriunda do teatro musical. Desta vez era Till There Was You, de Meredith Wilson, da peça The Music Man. Os covers da Motown são bem acima da média, incluindo You Really Gotta a Hold on Me (Smokey Robinson & The Miracles), Please Mister Postman (The Marvelettes) e Money (That's What I Want) (Barrett Strong). Aqui, Lennon repetiu a dose de Please Please Me e simplesmente tornou sua uma canção que antes era identificada com outro artista. A capa do álbum foi obra de Robert Freeman. A foto do rosto dos Beatles, clicados como se fossem meia-lua, também se tornou clássica.

domingo, junho 20, 2010

NADA SE CRIA...

Indiano com um visual típico dos hábitos e costumes do povo local.


Arte da minissérie Invasão, da DC Comics, publicada por aqui no começo dos anos 90 pela Abril.

sexta-feira, junho 18, 2010

TITÃS - TITANOMAQUIA

(texto publicado originalmente na BIZZ # 97, agosto de 1993; autoria de André Barcinski)

Data: algum dia perdido em 92.
Local: casa de um dos Titãs. Os sete roqueiros se reúnem para traçar as metas de seu novo álbum.
Paulo: "Bom, galera. E aí? Nosso último disco foi massacrado."
Toni: "É mesmo. Temos que pensar em algo diferente... Vamos começar pelo nome. Alguém tem uma sugestão?"
Nando: "Que tal ´Pa-Ra-Le-Le-Pí-Pe-Do´?"
Marcelo: "Não, nada de poesia concreta. O Arnaldo saiu, se liga!"
Charles: "Que tal um disco grunge? Está bem na moda..."
Sérgio: "Será dá certo?"
Charles: "Porra, até o Capital Inicial está fazendo cover do Pearl Jam!"
Branco: "É mesmo! O Dinho rasgou todas as suas calças e tatuou ´Eu Sou Roqueiro´ na cabeça."
Charles: "A gente poderia chamar aquele cara do Nirvana para produzir, o Butch Vig..."
(segue-se um longo intervalo, durante o qual Charles liga para a gravadora).
Charles: "Rapeíze´, o Butch não dá, mas eles me garantem um tal de ´Jack Albino´.
Paulo: "´Albino´? Legal, talvez ele até curta o Hermeto Pascoal."
Nando: "Mas eu não entendo nada de grunge. Só ouço Tom Zé e Marisa Monte!"
Branco: "Não tem mistério. O negócio é o seguinte: a gente mete umas guitarrinhas distorcidas, fala uns palavrões no meio das músicas e põe no press release que nosso negócio agora é pauleira!"
Marcelo: "Será que vai colar?"
Sérgio: "É lógico. Brasileiro é tudo bundão! A molecada toda só está andando com esse visual grunge, eu vi no Programa Livre."
Toni: "A gente pode fazer umas fotos com visual punk!"
Marcelo: "Oba, vou estrear a minha camiseta do Tad."
Nando: "Você também fez este curso de datilografia?"
Branco: "Só tem um problema: e se esta onda grunge acabar? E se o samba entrar na moda?
Charles: "Bom, acho que talvez o Agepê toparia produzir nosso próximo disco."

terça-feira, junho 08, 2010

PEARL JAM - THE END (LETRA E VÍDEO)

What were all those dreams we shared
Those many years ago?
What were all those plans we made now
Left beside the road?
Behind us in the road

More than friends, I always pledged
Cause friends they come and go
People change, as does everything
I wanted to grow old
I just want to grow old

Slide up next to me
I'm just a human being
I will take the blame
But just the same
This is not me

You see?
Believe

I'm better than this
Don't leave me so cold
I'm buried beneath the stones
I just want to hold on
I know I'm worth your love

Enough
I don't think
There's such a thing

It's my fault now
Having caught a sickness in my bones
How it pains to leave you here
With the kids on your own
Just don't let me go

Help me see myself
Cause I can no longer tell
Looking out from the inside
Of the bottom of a well

It's hell
I yell
But no one hears before I disappear
Whisper in my ear
Give me something to echo
In my unknown future's ear

My dear
The end
Comes near
I'm here
But not much longer

MOMENTO ZOOEY DESCHANEL

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH...

quinta-feira, junho 03, 2010

O CLUBE DO FILME

Com uma lista enorme de livros para começar minha pequena aventura literária, resolvi começar por um que peguei emprestado. Aliás, antes de falar do livro em si, uma história introdutória. Em dezembro último tivemos um amigo secreto (ou amigo oculto, como queira) no trampo. E no sorteio, a Camile acabou pegando o George, o dono do livro. Ela não sabia o que dar para ele. Um dia, estávamos o George e eu nas Americanas, gastando um tempinho até que a Camile chegasse para irmos ao cinema. E vimos lá O Clube do Filme. Eu tinha lido em algum lugar algo sobre o livro, e achei interessante. Quando o mostrei, ele também pareceu interessado. Bingo! Falei à Camile qual seria um bom presente, e ela acabou comprando o livro para ele. Agora que o li parece que esse foi meu plano o tempo inteiro, fazer a cabeça dela para comprar o livro, para que, eventualmente, ele depois me emprestasse e eu acabasse lendo também. E aí, Camile e George, o que acharam desse meu plano vilanesco?!

Vamos ao livro, então. O Clube do Filme mostra uma história real. David Gilmour, autor do livro e crítico de cinema, conta o período de três anos em que viveu ao lado do filho, Jesse, então com 15 anos, a partir de sua proposta arriscada para tentar colocar o filho nos eixos. Vendo que Jesse não ia bem na escola, David propôs o seguinte: o filho pode abandonar os estudos, desde que se comprometa a assistir a três filmes por semana, escolhidos pelo pai, e com o pai. Essa seria a única educação que ele receberia.

O livro traz então detalhes dessas sessões de cinema, onde eles assistem de tudo, desde clássicos hollywoodianos até a filmes de gosto duvidoso, passando pela nouvelle vague francesa e pelo o que o autor chama de “tesouros enterrados”, sempre com uma pequena aula sobre o filme do momento, que o pai sempre dava antes de, ou até mesmo durante, cada projeção. Ao mesmo tempo acompanhamos o desenvolvimento da relação de ambos, o primeiro, quer dizer, os dois primeiros amores de Jesse, a busca por um trabalho de David, o relacionamento entre sua ex e mãe do filho etc.

Gente, livro bom para mim é aquele que te faz pensar. Não pensar no sentido de tentar entender o que o escritor está dizendo por ter uma linguagem rebuscada. Mas pensar no sentido de refletir, de fazer até um paralelo com nossas vidas. E O Clube do Filme é cheio desses momentos. E o que “dá o gás” durante a leitura são as conversas sinceras, abertas, entre pai e filho. Assim como Jesse aprendeu muito com os filmes, ele também aprendeu com o pai. Aliás, os dois aprenderam muito durante o processo. Não dá para não pensar: E se tivéssemos um pai assim, amigo, confidente? Não seria uma boa? E se tivéssemos um filho problemático, que além de não gostar da escola, torce pela seleção do Dunga, vai para micareta e fica contando no Orkut os dias para o começo do São João? Você não ao menos tentaria mudar os conceitos dele? Bem, funcionou para David e Jesse.

Então, livro mais do que recomendado, tanto para fãs de cinema (fiquei a fim de ver e rever vários dos citados durante a leitura) como para quem procura por uma literatura honesta que mostra uma relação íntima e sincera entre pai e filho. Para dar um gostinho e ser fisgado de vez, confira um trecho clicando aqui.