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terça-feira, julho 13, 2010

RAMONES - ACID EATERS

(texto publicado originalmente na Bizz # 102, de janeiro de 1994; autoria de Sergio Martins)

Prepare-se para a meia hora mais divertida de sua vida. Em Comedores de Ácido, os Ramones, que volta e meia são citados como influência máxima por alguma banda, dessa vez trocaram as bolas e decidiram homenagear seus ídolos. A seleção vai da surf music da dupla Jan & Dean à Creedence, passando por Rolling Stones e Eric Burdon. Todas tocadas no "padrão Ramones de qualidade", ou seja, curtas e no maior pau. O baixista CJ Ramone dá uma canja como vocalista em três músicas, e há pelo menos duas participações especiais: Pete Townshend, do Who, nos vocais de "Substitute", e a ex-rainha do cinema pornô Traci Lords detona um dueto com Joey Ramone em "Somebody to Love". Ah, e ainda tem Sebastian Bach, do Skid Row, mas isso não tira o brilho do disco.

terça-feira, maio 29, 2007

20 DISCOS QUE MUDARAM O MUNDO pt. 5

(texto extraído da revista ZERO nº 8)

RAMONES
RAMONES
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Lançamento: 28 de abril de 1976
Nas paradas: nº 111 dos álbuns pop de Billboard
Algumas influências: Beach Boys, Phil Spector, New York Dolls, The Stooges, Alice Cooper, The Ronnetes e HQs
Alguns influenciados: Sex Pistols, The Clash, Black Flag, The Cramps, Social Distortion, Green Day, Pearl Jam e tudo que leve o termo rock

“Hey ho, let’s go”. O verso cantado por Joey Ramone virou a senha para um mundo onde a música não necessitava de temas cabeça e duração acima dos dez minutos. O primeiro disco do quarteto de Nova York antecipou a explosão do punk na cidade. Foi gravado em apenas 17 dias e com um orçamento de US$ 6.400, valores baixíssimos pra época em que milhões de dólares e anos de estúdio eram gastos com bandas como o Fleetwood Mac – as primeiras demos gravadas foram apagadas, pois Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy Ramone estavam muito chapados.
14 canções, três acordes, sem maiores pretensões e de uma ingenuidade rasteira, somam os 28 minutos e 52 segundos. O que foi gravado, basicamente, era o set do grupo no lendário CBGB’s de Nova York. Johnny usou uma guitarra que custou $ 50, enquanto Dee Dee e Tommy se viraram com o que tinham na frente. As letras refletiam o dia-a-dia de seus integrantes. “Judy Is a Punk” falava de dois fanáticos por Ramones, “Chain Saw” fazia referência ao filme O Massacre da Serra Elétrica, “53rd & 3rd” descrevia o local das prostitutas na Big Apple e assim por diante. O marco zero do movimento punk estava decretado.

Efeitos no Brasil: os ecos dos três acordes do Ramones só seriam escutados nos idos de 1978 e apenas no underground brasileiro. Grupos como AI-5, Lixomania e Restos de Nada romperiam o cabaço do gênero no país. Em 1982, o primeiro disco de punk brasileiro era lançado: Grito Suburbano, com participações de Inocentes, Cólera e Olho Seco.
Enquanto isso...: Paul Simon recebe o Grammy pelo álbum Still Crazy After All These Years. Bono Vox, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton formam a banda chamada Feedback, que mais tarde viraria U2. Dois sucessos do ABBA foram os singles mais executados nos EUA no ano: “Fernando” e “Dancing Queen”. Nas Olimpíadas de Montreal, a ginasta romena Nadia Comaneci encanta o mundo com a primeira nota 10 da história da competição. Morre o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O Iron Maiden é formado.

terça-feira, janeiro 30, 2007

20 DISCOS QUE MUDARAM O MUNDO pt. 1

(texto extraído da revista ZERO nº 8)

SEX PISTOLS
NEVER MIND THE BOLLOCKS, HERE’S THE SEX PISTOLS

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Lançamento: 1º de outubro de 1977
Nas paradas: nº 106 na parada pop da Billboard
Algumas influências: Ramones, New York Dolls, The Stooges, Alice Cooper, Velvet Underground, MC5
Alguns influenciados: Guns N’ Roses, Oasis, Backyard Babies, Nirvana

O punk como estilo musical pode não ter nascido com Never Mind the Bollocks... Afinal, desde o final dos 60 / início dos 70 Iggy Pop encabeçava a música tocada dessa forma com seu Stooges, e na mesma época que Nova York pariu a banda seminal do punk, alguns anos antes da explosão britânica, a famosa casa de rock underground CBGB’s abria a porta para Ramones e cia. Mas o punk como atitude (e suas conseqüências) explodiram com os 38 minutos e 35 segundos do disco dos Pistols.
Os argumentos contrários são muitos – desde que eles são uma banda fabricada por Malcom McLaren no fundo de sua loja de roupas “Sex” (verdade) até que a rebeldia de Johnny Rotten (vocal), Steve Jones (guitarra), Paul Cook (bateria) e Sid Vicious (baixo) era fabricada (mentira).
Antes de gravar Never Mind the Bollocks... eles conseguiram a façanha de serem expulsos de duas gravadoras (EMI e A&M), e após o lançamento do álbum provocaram uma revolução sem precedentes na história do rock. Trabalhadores da indústria fonográfica, pela primeira vez, cruzaram os braços e se recusaram a fabricar um disco; quando “God Save the Queen” ultrapassou Rod Stewart e alçou o topo da parada britânica, os responsáveis omitiram o nome do líder e deixaram em branco o primeiro posto – apenas duas histórias que ilustram bem a disposição de quem trabalhava com música em aceitar o sucesso dos quatro delinqüentes.
No conteúdo do disco de capa amarela, apologia à anarquia, censura ao cristianismo, louvação ao niilismo e até música composta a partir de cartas que o vocalista recebia de uma louca internada no hospício, Pauline (“Bodies”).
Após o lançamento do álbum, eles partiram pra uma turnê pelos EUA que implodiu a banda em 14 dias. Cada um seguiu seu caminho – Johnny Rotten isolou-se e formou o PIL (Public Image Limited); Steve Jones e Paul Cook vieram pegar um bronze no Brasil e gravaram algumas canções com Ronald Biggs, famoso pelo assalto a um trem pagador inglês, e Sid Vicious foi pra Nova York com a namorada, Nancy Spungen, e acabaram morrendo por lá no ano seguinte – ele, de overdose, e ela, assassinada.
É chavão, mas o rock nunca mais foi o mesmo depois dos Sex Pistols. E olha que eles não chegaram a durar dois anos.

Efeitos no Brasil: Os ecos do punk demoraram a chegar por aqui. À época, o rock BR era dominado por três vertentes: o progressivo de grupos como Casa das Máquinas, Vímana, O Terço e, mesmo, Mutantes, o hard rock de Made in Brazil, Patrulha do Espaço e Bixo de Seda, e o rock rural de Sá, Rodrix e Guarabira. Quem chegou ao Brasil como um furacão não foram os “needles e pins” dos Pistols, mas as meias coloridas e as jaquetas de Tony Manero da onda disco. As primeiras bandas punk apareceram no ano seguinte: AI-5 e Restos de Nada. Logo depois, viriam Olho Seco, Ratos de Porão, Cólera e Inocentes, que ganhariam atenção de fato apenas em 1982, com o lançamento do primeiro disco do gênero, Grito Suburbano.

Enquanto isso...: Elvis Presley, que havia morrido dois meses antes, continuava reinando nas paradas inglesas com “Way Down”. Nos EUA de Steven Spielberg, “Star Wars Theme” (Meco) comandava. Mais os artistas mais famosos do ano são os Bee Gees, com a trilha de Embalos de Sábado à Noite. No Brasil a ditadura ainda respira e o presidente Ernesto Geisel decreta o recesso do Congresso Nacional.

terça-feira, dezembro 20, 2005

END OF THE CENTURY – THE STORY OF THE RAMONES

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Uma vez ou outra vale realmente a pena ter tv a cabo em casa. Desta vez foi para assistir ao documentário End Of The Century, que conta a história da lendária banda punk Ramones, exibido no canal Cinemax, que apesar das falhas nas legendas, que insistem em não corrigir, valeu muito a pena. Mostrando depoimentos de integrantes da banda e de pessoas que viveram o surgimento do movimento punk de perto, mesclado com imagens, boa parte delas bem toscas, de performances da banda desde os primeiros shows no CBGB (que ficou famosa por exatamente abrigar os primeiros shows de bandas punk, como Television, Talking Heads, Blondie e, claro, os próprios Ramones) até a despedida dos palcos em 1996.
Era notório que os Ramones tiveram muitos problema em sua trajetória, mas ver os próprios protagonistas falarem de tudo isso acaba ganhando novos contornos. As dificuldades de Joey, desde garoto sofrendo de síndromes compulsivas e mais tarde ao perder seu grande amor para o companheiro de banda, o guitarrista Johnny (fazendo com que os dois nunca mais se entendessem, apesar da banda ter continuado por vários anos depois do ocorrido). As brigas entre Dee Dee e sua namorada. O sucesso que nunca chegava (enquanto outras bandas que emulavam o som deles alcançavam boas posições nas paradas). A mão-de-ferro com que Johnny controlava a banda, chegando até a proibir uma mudança de visual de Dee Dee. A troca de bateristas. O envolvimento com álcool e drogas, principalmente entre Dee Dee e Marky, segundo batera da banda. A produção de Phil Spector em um dos discos, que quase causou o fim da banda (sem esquecer que Phil chegou a meio que seqüestrar os caras). A saída de Dee Dee, que lançou um disco de rap em seguida (rap?! Só pode ter sido efeito colateral das drogas).
Alguns depoimentos chamam a atenção, como o feito por Johnny e Dee Dee, ao dizerem que Tommy (primeiro baterista da banda, e que também produziu alguns álbuns) não foi importante ao som dos Ramones, ou quando CJ, que substituiu Dee Dee no baixo, diz que foi ameaçado por Johnny para ficar no seu lugar, ao notar a amizade que crescia entre Joey e o novo integrante, ou Johnny achando estranho ter sentido a morte de Joey (porra, os dois ficaram juntos por cerca de 20 anos, o que há de estranho em sentir algo?). Ah, e teve também um (não lembro quem, mas não foi um integrante da banda) que, ao falar do sucesso na América do Sul, diz que no Rio de Janeiro há um milhão de moleques de rua, e que os comerciantes locais contratavam criminosos para matá-los, então eles ouviam Ramones para esquecer seus problemas (onde ele escutou essa?!). Outro momento que chama a atenção é quando Johnny solta um “Deus abençoe o presidente Bush e a América”, totalmente inesperado para uma pessoa que fez parte do nascimento do movimento punk.
Enfim, como diz Dee Dee em uma passagem, é difícil ser integrante de uma banda de rock. No final, fica a impressão que o que manteve a banda junta por cerca de 20 anos foi a paixão pela música, a adrenalina dos shows. Apesar do reconhecimento tardio de sua importância, hoje o legado de Joey Ramone e cia é bem maior do que leva a crer o seu nome batizando uma rua nos Estados Unidos.

(Ao som de It’s Alive, primeiro álbum ao vivo dos Ramones)