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sábado, fevereiro 28, 2009

TIRANDO A POEIRA

Com tanto material de qualidade ao alcance de um clique do mouse, às vezes a gente esquece-se dos nossos CDs físicos e originais, e acaba deixando-os meio de lado. Mas nos últimos dias fiz um esforço e tirei a poeira de alguns álbuns que há tempos não sentiam o leitor de um CD player. Destaco no post dois deles, que considero meio que jóias raras na minha coleção: Beautiful Freak, do Eels, e To Record Only Water For Ten Days, de John Frusciante.

EELS – BEAUTIFUL FREAK

O Eels é um trio comandado por Mark Oliver Everett, ou simplesmente E, res- ponsável pelas compo- sições e pelo dire- cionamento sonoro do grupo. Formado na metade dos gloriosos anos 90, a banda assinou com a Dreamworks e lançou seu debut, Beautiful Freak, em 96. Você pode classificar o som dos caras como indie, mas em tempos de internet, onde mainstream e alternativo se confundem, isso não quer dizer mais nada. Mas em Beautiful Freak você pode encontrar pitadas de grunge, jazz e até hip hop, vernizado com uma camada pop que torna tudo mais palatável e que faz o pessimismo das letras de E ficar em segundo plano. Faixas de destaque: “Novocaine For The Soul”, “Susan’s House”, “Your Lucky Day In Hell” e “Rags To Rags”.


JOHN FRUSCIANTE – TO RECORD ONLY WATER FOR TEN DAYS

Sim, é ele mesmo, o guitarrista do Red Hot Chili Peppers. O cara tem uma carreira solo prolífica. São 10 álbuns solos, incluindo The Empyrean, já de 2009. To Record Only Water For Ten Days, de 2001, é o terceiro da lista, e o primeiro longe do vício das drogas que causou sua saída dos Pimentas Malaguetas durante os shows da turnê de Blood Sugar Sex Magik. Disco de um homem só, John toca todos os intrumentos, incluindo bateria eletrônica, e faz os vocais, um tanto toscos, mas que dão um certo charme ao CD. Bom mesmo são os inspirados riffs de guitarra que percorrem todo o álbum. Os fãs da era pós-Californication do RHCP dificilmente apreciarão essa faceta de Frusciante, mas em muitos momentos o guitarrista supera sua banda principal durante as 15 faixas do disco. Destaques: “Going Inside”, “Someone’s”, “Ramparts”, “With No One” e “The First Season”.

terça-feira, julho 01, 2008

20 DISCOS QUE MUDARAM O MUNDO pt.20

(texto extraído da revista ZERO nº 8)


RED HOT CHILI PEPPERS
MOTHER’S MILK

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Lançamento: 10 de agosto de 1989
Nas paradas: Nº 52 no Top 200 da Billboard
Algumas influências: George Clinton, Jimi Hendrix, Sylvester Stewart, Talking Heads, Black Flag, Bob Marley
Alguns influenciados: Primus, Faith No More, Sublime, Living Colour, Infectious Grooves, Mr. Bungle e... Detonautas


O que fazer quando o guitarrista de sua banda morre de overdose, o vocalista dá pinta de que terá o mesmo destino, o baterista tem um colapso nervoso e abandona o barco e o baixista resolve se dedicar a projetos paralelos? Pois foi dessa química que o Red Hot Chili Peppers extraiu Mother’s Milk.
Vamos aos nomes, então, para deixar as coisas mais claras. Um ano após a gravação de The Uplift Mofo Party Plan, disco que reforçou a fama do grupo, o guitarrista Hillel Slovak e o vocalista Anthony Kiedis começaram a pegar perigosamente pesado nas drogas - heroína, mais especificamente. Slovak morreu de overdose; Kiedis teve melhor sorte e o susto fez com que ele procurasse ajuda. Para o lugar de Slovak e de Jack Irons, baterista que abandonou as baquetas, Flea e Kiedis convocaram, respectivamente, John Frusciante, um prodígio de apenas 18 anos, e a locomotiva Chad Smith. O resultado da combinação dos quatro não poderia ser melhor - e foi com essa formação que o grupo pariu seus melhores trabalhos - o primeiro dos quatro foi Mother’s Milk.
O nome refletia o novo período, a desintoxicação das tragédias. E esse recomeço potencializou todas as possibilidades do grupo. O que era pesado ficou ainda mais - “Magic Johnson”, “Nobody Weird Like Me”, “Stone Cold Bush”, “Fire” (de Hendrix) e “Punk Rock Classic” - e o que era grooveado ganhou molejo ainda maior - “Good Time Boys”, “Subway To Venus”, “Johnny, Kick A Hole In The Sky” e “Higher Ground” (de Stevie Wonder).
Filhos do disco nascem aos montes ate hoje.

Efeitos no Brasil: O crossover da banda, na mistura de rock, metal, punk e funk, só foi entendido de verdade por aqui dois anos depois, quando o Faith No More estapeou quase 200 mil pessoas (e um número incontável de telespectadores da Globo) com uma apresentação impecável no Rock In Rio 2. Depois disso, o caminho ficou fácil para bandas como Raimundos e Chico Science colocarem um acento regional na mistura.
Enquanto isso...: Richard Marx (lembram-se dele?) embalava os corações em trilhas de novelas, como Top Model por aqui, com sua “Right Here Waiting”, enquanto as pistas bombavam com Jive Bunny & The Mastermixers com “Swing The Mood” e “That’s What I Like”.