Mostrando postagens com marcador Pixies. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pixies. Mostrar todas as postagens

terça-feira, fevereiro 22, 2011

DISCOTECA BÁSICA: PIXIES - DOOLITTLE (1989)

(texto extraído da BIZZ 143, de junho de 1997; autoria de Pedro Só)


"A primeira vez que ouvi, imediatamente me senti muito próximo da banda. ‘Smells Like Teen Spirit’ surgiu quando eu tentava desesperadamente compor uma canção no estilo dos Pixies." Kurt Cobain

A confissão de Kurt Cobain bate com o depoimento de outro monstro sagrado. David Bowie: "Fiquei puto quando escutei Nevermind pela primeira vez. A dinâmica das músicas era totalmente roubada dos Pixies!" Essa genial brincadeira não é invenção do cantor e guitarrista Charles Michael Kitteridge Thompson IV. Indubitavelmente, porém, foi o quarteto que ele fundou em Boston, há onze anos, que a elevou ao status de arte pop. Filho de pentecostais, Charles - ou Black Francis, como assinava na época - era um gordinho esquisito que amava Hüsker Dü (outra influência decisiva do Nirvana), ficção científica e a língua espanhola (fez intercâmbio em Porto Rico). Quando se juntou ao guitarrista Joey Santiago (filipino de nascimento), à baixista Kim Deal e ao baterista David Lovering para formar o Pixies, finalmente conseguiu botar pra fora a confusão reprimida que insistia em gargalhar além de seu subconsciente.

Há quem prefira Surfer Rosa, primeiro álbum do grupo, que ajudou a criar o mito do produtor Steve Albini. Mas o segundo, Doolittle, de 1989, tem apelo irresistível. Contrariando o esnobismo underground do selo inglês 4AD, com quem tinham contrato, os Pixies trabalharam com som limpo, estruturas simples, senso melódico apurado (Elton John elogiou) e refrões fortes.

Popular e doentio, quando saiu, Doolittle foi interpretado pelo Melody Maker como um disco que tematizava a inutilidade da linguagem e a repulsa ao corpo. Parece pretensioso, mas faz sentido. E, igualmente importante, é divertidíssimo. O título referiria-se ao Dr. Doolittle, que, quem teve infância sabe, tinha o dom de falar com os animais. Era para ser Whore (Prostituta), mas Francis achou "católico demais, ou bobamente anticatólico". Preferiu o homem que falava com as bestas, conceito que traduz seu estilo adoravelmente demente de cantar, um diálogo com monstros interiores.

Já na primeira faixa, "Debaser", Francis incorpora um freak adolescente urrando de excitação depois de ter assistido ao filme Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, e tentando transmiti-la para uma colega. "Garotinha, é tão legal... ha ha ha ho! Fatiando os globos oculares... ha ha ha ho! Não sei de você, mas eu sou ‘un... chien andalousia’! Quero crescer para ser um pervertor." A voz de Kim Deal ecoa Francis ironicamente sexy: "Pervertor!" Em "Hey", os grunhidos e gemidos dos dois fazem sexo animal - a música é mais nirvanesca do que o próprio Nirvana - encaixaria perfeita em In Utero, com as vozes de Kurt e Courtney.

"Tame" começa falando em "lábios de Cinderela", mas em poucos segundos explode num grito psicopata: "Você é tão mansa!" Kim geme, Francis arfa, as guitarras uivam, e todos (inclusive o ouvinte) chegam juntos a um orgasmo sonoro.

Em várias faixas, guitarras surf de Joey e Black prenunciam o revival promovido pelo locadora boy Quentin Tarantino. David Lovering canta um delicioso deboche sixties, "La La Love You". "Monkey Gone To Heaven" tem celos, cordas, backing vocais celestiais de Kim Deal e uma desconcertante equação na letra: primata em desacerto com a natureza + numerologia bíblica = apocalipse.

A poesia de Francis é tão brilhante quanto os desenhos melódicos de sua guitarra: "Beijei sereias, cavalguei o El Niño, andei pela areia com crustáceos, numa onda de mutilação". O produtor Gil Norton chegou a ficar assustado com alguns versos, mas Francis o tranqüilizou: "É tudo bobagem, eles não querem dizer nada, são só sons que eu junto". Pois sim. Confiram a travadíssima "I Bleed": "Alto feito o inferno, um sino toca atrás do meu sorriso, sacode meus dentes e, esse tempo todo, enquanto os vampiros se alimentam, eu sangro".


Faixas:
"Debaser"
"Tame"
"Wave Of Mutilation"
"I Bleed"
"Here Comes Your Man"
"Dead"
"Monkey Gone To Heaven"
"Mr. Grieves"
"Crackity Jones"
"La La Love You"
"No. 13 Baby"
"There Goes My Gun"
"Hey"
"Silver"
"Gouge Away"

O disco chegou ao oitavo lugar na parada inglesa. Naquele mesmo ano, Francis deu shows solo e Kim Deal fundou The Breeders. Os Pixies nunca mais foram os mesmos. Lançaram ainda dois álbuns, Bossanova e Trompe Le Monde, e tiveram seu fim anunciado oficialmente em janeiro de 1993. Francis, que já gravou três álbuns usando o nome Frank Black, dizia que não agüentava mais tocar "Monkey Gone To Heaven".

terça-feira, outubro 12, 2010

SWU - DIA 3


Último dia de festival e a promessa de ótimos shows com Queens of the Stone Age e Pixies. O Multishow ainda nos brindou com um tal de Avenged Sevenfold, que confesso nunca ter ouvido falar, ou mesmo ouvido o som, mas pelo trechinho que vi, com uma mistura de hardcore, emo e metal melódico numa única música, não tava perdendo muita coisa não. Dispenso.

Com um atraso devido a problemas técnicos, o Queens of the Stone Age entra (em preto e branco na telinha, exigência dos caras para o início do show) com a dobradinha “Feel Good Hit of the Summer” e “The Lost Art of Keeping a Secret”, as duas faixas de abertura de R, para colocar (des)ordem na casa. Depois disso a porrada continua com músicas de todos os discos (exceto o debut). “No One Knows”, “A Song for the Dead”, “In My Head”, “Little Sister”, “Sick, Sick, Sick”, “3’s & 7”s” etc, incluindo ainda duas das minhas favoritas, “Long Slow Goodbye” e “Go With the Flow”. Se neguinho chegar pra você dizendo que o rock já era, que não existe mais bandas boas, com certeza essa pessoa não conhece o QOTSA. Showzaço!

Contando com a minha boa e velha sorte, antes de começar a apresentação do Pixies falta energia aqui no meu bairro por quase uma hora. Depois de xingar deus e o mundo, restou-me esperar. Voltou a tempo de acompanhar apenas as quatro últimas músicas. Pelo menos pude ver o final apoteótico com “Where is My Mind” e “Gigantic”, clássicas absolutas. E ainda conferi uns vídeos na internet para diminuir um pouco o prejuízo. Os anos passaram, perderam os cabelos, ganharam alguns quilos, mas eles continuam com uma boa pegada, e com um repertório daquele, fica tudo mais fácil. E a Kim Deal ainda tem aquela voz fofa de sempre. Torcer agora para rolar uma reprise...

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

VAZOU NOVO DO BREEDERS

O novo álbum do Breeders, Mountain Battles, previsto apenas para em abril, vazou na net. Para quem não sabe, Breeders é a banda da Kim Deal, que fez história como baixista de uma das melhores bandas de todos os tempos, o Pixies, ao lado do gordinho Frank Black (ou Black Francis, como você preferir). E quando o Pixes acabou pela primeira vez, no começo da década de 90, ela montou o Breeders com sua irmã Kelley e, entre trancos e barrancos, a banda continua na ativa até hoje. (Todos conhecem "Cannonball", megahit do álbum Last Splash, certo?!). Então, sem mais lero-lero, baixe a mais nova empreitada das irmãs Deal clicando aqui, e confira a capa do disco e seu tracklist abaixo.

Photobucket

1. Overglazed

2. Bang On

3. Night of Joy

4. We're Gonna Rise

5. German Studies

6. Spark

7. Istanbul

8. Walk It Off

9. Regalame Esta Noche

10. Here No More

11. No Way

12. It's The Love

13. Mountain Battles